Um esquema suspeito de fraudes em licitações públicas resultou na prisão preventiva de sete pessoas na manhã desta terça-feira (16), em Barra do Garças, no interior de Mato Grosso. A ação é parte da Operação Cenário Montado Gyn, deflagrada pela Polícia Civil para apurar indícios de corrupção, direcionamento de certames e uso de empresas de fachada envolvendo contratos da prefeitura.
Além das prisões, a Justiça determinou medidas que atingem diretamente o núcleo financeiro do suposto esquema, como a suspensão das atividades de duas empresas e o sequestro de valores que ultrapassam R$ 4,2 milhões. As decisões judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e cumpridas também nos municípios de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia, em Goiás.
De acordo com a Polícia Civil, os investigados ocupavam diferentes funções dentro da estrutura apontada como criminosa. Entre eles estão empresários, representantes legais de empresas e servidores públicos municipais. Conforme as apurações, o grupo teria atuado de forma organizada para manipular processos licitatórios, com indícios de superfaturamento, simulação de concorrência e favorecimento prévio de determinadas empresas.
Os presos foram identificados como Adenir Pinto da Silva, apontado como chefe do esquema; Lucimar Teixeira da Silva, responsável pela articulação operacional e documental; Rodrigo Mendes Moreira, que atuaria na coordenação e fiscalização de serviços subcontratados; Luciana Costa da Silva, servidora da Secretaria Municipal de Turismo; Tayara Félix Alves Cardoso, indicada como fachada empresarial; Paulo Henrique de Freitas Pinto, representante legal de empresa suspeita; e Elcio Mendes da Silva, servidor lotado no Gabinete do Prefeito.
Durante a operação, também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, além de autorizações judiciais para a quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático dos investigados. O material recolhido deve subsidiar a continuidade das investigações, que buscam detalhar a participação de cada envolvido e o alcance financeiro das supostas irregularidades.
Como funcionaria o esquema investigado
Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava empresas do setor de produção de eventos e shows para fraudar processos licitatórios, principalmente por meio da criação de Atas de Registro de Preços. Essas atas, conforme apurado, eram posteriormente usadas por outros municípios através de adesões conhecidas como “caronas”, prática permitida pela legislação, mas que, neste caso, apresentaria fortes indícios de direcionamento e sobrepreço.
As investigações tiveram início em janeiro de 2025, inicialmente voltadas para possíveis fraudes em licitações no município de Pontal do Araguaia, a partir de informações levantadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Apenas nos três pregões investigados naquele município, os valores globais chegaram a aproximadamente R$ 25,8 milhões. Conforme a legislação, as adesões poderiam alcançar, em tese, até R$ 51,7 milhões, considerando o limite máximo permitido.
Conforme informações da Polícia Civil, o mesmo padrão de atuação teria sido replicado em outros municípios da região, por meio de adesões às atas originadas em Pontal do Araguaia, o que ampliou o foco das investigações e levou ao desdobramento que atingiu contratos da Prefeitura de Barra do Garças.
Em nota oficial, a Prefeitura de Barra do Garças informou que está adotando as medidas cabíveis em relação às empresas e aos servidores eventualmente envolvidos, assegurando o devido processo legal e o direito à ampla defesa. A investigação segue sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, que deve analisar o material apreendido antes de novos desdobramentos.
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Fonte: cenariomt






