A nova rodada da Pesquisa de Estoques do IBGE, referente ao primeiro semestre de 2025, confirma a força de Mato Grosso como principal potĂŞncia nacional em armazenagem agrĂcola. O estado mantĂ©m a liderança absoluta, com 63 milhões de toneladas de capacidade instalada, nĂşmero que reforça sua posição estratĂ©gica diante da expansĂŁo da produção de grĂŁos nas Ăşltimas dĂ©cadas.
Enquanto o Brasil alcançou 231,1 milhões de toneladas de capacidade disponĂvel no perĂodo — alta de 1,8% em relação ao semestre anterior — Mato Grosso segue ganhando protagonismo regional e nacional. TambĂ©m houve aumento no nĂşmero total de estabelecimentos de armazenagem no PaĂs, que chegou a 9.624 unidades.
No comparativo entre regiões, apenas o Nordeste não registrou crescimento no número de unidades. O Centro-Oeste, impulsionado sobretudo por Mato Grosso, teve avanço de 1,9%. No ranking estadual, Rio Grande do Sul aparece com 2.454 estabelecimentos, seguido de perto por Mato Grosso, com 1.787, e pelo Paraná, com 1.382 unidades.
Mato Grosso domina o ranking nacional de armazenagem municipal
Entre os dez municĂpios com maior capacidade instalada no PaĂs, sete sĂŁo mato-grossenses. O destaque Ă© Sorriso, lĂder nacional com 5,6 milhões de toneladas, sustentado majoritariamente por armazĂ©ns graneleiros (75,7%). Detentor do posto de maior produtor de soja e milho do Brasil, o municĂpio sozinho responde por 8,9% da capacidade estadual.
A lista de maiores polos mato-grossenses tambĂ©m inclui Nova Mutum, Primavera do Leste, Sinop, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Lucas do Rio Verde, que juntos concentram 38,1% de toda a capacidade de armazenamento do estado. O avanço dessas cidades acompanha a evolução da prĂłpria agricultura mato-grossense, que ampliou fronteiras, modernizou estruturas e consolidou uma rede logĂstica capaz de sustentar safras cada vez maiores.
Lucas do Rio Verde, um dos principais polos de produção do PaĂs, reforça esse protagonismo ao integrar o grupo de municĂpios que mais armazenam no Brasil. A presença no ranking nacional Ă© resultado direto do volume expressivo de grĂŁos colhidos no municĂpio e das constantes expansões em capacidade estática realizadas por cooperativas, tradings e produtores.
Capacidade por tipo de estrutura também aponta liderança dos silos
Do total nacional, os silos continuam sendo o tipo predominante de armazenagem, somando 123,2 milhões de toneladas, equivalente a 53,3% da capacidade útil total. Em Mato Grosso, porém, o perfil é diferente: 57,9% da capacidade pertence a armazéns graneleiros, enquanto 37,8% são compostos por silos, o que reflete a vocação do estado para estruturas de grande porte, capazes de comportar volumes elevados de grãos.
No restante do PaĂs, estados como Rio Grande do Sul (38,7 milhões de t) e Paraná (35,9 milhões de t) tambĂ©m se destacam, ambos predominando no uso de silos. Entre os municĂpios fora do eixo de Mato Grosso, chamam atenção Rio Verde (GO), responsável por 14,7% da capacidade goiana, e Ponta Grossa (PR), sexto maior polo nacional. Em SĂŁo Paulo, o destaque Ă© Santos, onde estĂŁo estruturas diretamente ligadas ao maior porto do PaĂs.
Produção crescente exige rede de armazenagem mais robusta
A pesquisa mostra ainda que, entre os principais produtos estocados, a soja lidera com 48,8 milhões de toneladas — alta de 12,8% em relação ao semestre anterior. Em seguida aparecem milho, arroz, trigo e café. No total, foram monitoradas 79,4 milhões de toneladas.
A série histórica revela o tamanho da transformação ocorrida no setor: desde 1997, a capacidade útil total instalada no Brasil mais que dobrou, crescendo 110,1%. Nesses 28 anos, a capacidade de armazéns convencionais caiu pela metade, enquanto os silos avançaram 463% e os graneleiros, 146,6%, acompanhando a revolução na produção de grãos.
Nesse cenário de expansĂŁo, Mato Grosso — com Sorriso, Lucas do Rio Verde e demais polos em evidĂŞncia — reafirma seu papel central na sustentação logĂstica do agronegĂłcio brasileiro.
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Fonte: cenariomt





