A Comissão de Segurança Pública do Senado vai ouvir o jornalista português Sérgio Tavares em audiência pública na próxima terça-feira, 23. O comunicador foi ) no dia 25 de fevereiro, ao desembarcar no Brasil para participar do ato pela democracia, na Avenida Paulista.
O requerimento, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), diz que Tavares foi convidado a comparecer no Senado para que ele possa “elucidar as diversas dúvidas decorrentes do acontecimento em que esteve envolvido na sede da PF no aeroporto”.
O texto afirma que o jornalista portuguĂŞs teve que responder a perguntas sobre suas opiniões polĂtico-partidárias e ideolĂłgicas, alĂ©m de ser confrontado sobre declarações que havia feito sobre as manifestações que ocorreram 8 de janeiro de 2023.
“Tais atitudes dos membros da PolĂcia Federal lotados do Aeroporto Internacional de SĂŁo Paulo se assemelham a uma evidente transgressĂŁo aos direitos Ă liberdade de expressĂŁo”, afirma GirĂŁo, no requerimento para ouvir Tavares. “E [inibe a] livre manifestação de pensamento, insculpidos no Art. 5Âş da Carta Magna da RepĂşblica.”
Em março, o colegiado recebeu o diretor de PolĂcia Administrativa da PF, delegado Rodrigo de Melo Teixeira, . Na ocasiĂŁo, Teixeira disse que quem “flerta com a criminalidade” e “ataca a honra” de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) está sujeito a ser questionado pelo ĂłrgĂŁo ao entrar no Brasil.
“Ele (Sérgio Tavares), questionado sobre ataque à honra de ministros da Suprema Corte que ele faz na rede social dele… Não é questão só de ser ministro da Suprema Corte. Eu não posso fazer um ataque à honra do senhor, que é senador, ou de qualquer cidadão, ou contra mim, que sou delegado”, disse Melo Teixeira. “Ataque à honra considera-se crime no nosso ordenamento legal. Outra questão, quando ele critica a urna eletrônica e diz que é fraudada. Tangencia em uma situação que a gente sabe que não tem nenhuma ilegalidade nesse procedimento, e ele critica. Ele apoia o movimento golpista que teve no 8 de Janeiro.”
Para GirĂŁo, a revelação do oficial causou “estranheza” e “inquietação”. Segundo texto, o delegado da PF apontou que milhares de cidadĂŁos sĂŁo monitorados nas suas redes sociais de uma maneira seletiva, sem esclarecer os critĂ©rios desse monitoramento. “O que demonstra, cada vez mais, que o nosso paĂs pode estar submetido a um inquietante regime de exceção.”
Na Ă©poca, o jornalista portuguĂŞs postou um vĂdeo em seu perfil no Twitter/X para dizer que estava sendo retido e que seu passaporte havia sido apreendido. “Todos os passageiros tiveram autorização para sair, menos eu”, denunciou Tavares. “A PolĂcia Federal tem o meu passaporte retido e dizem-me que o superior me quer fazer questões. Tudo porque vim divulgar a manifestação pela democracia convocada por Bolsonaro.”
Em , a PF informou que a alegação de Tavares de ter sido “indevidamente impedido de entrar no Brasil” era falsa. “Tal indivĂduo teria publicado em suas redes sociais que viria ao PaĂs para fazer a cobertura fotográfica de um evento. Todavia, para isso, Ă© necessário um visto de trabalho, o que ele nĂŁo apresentou.”
Na época, o advogado de Tavares, Eduardo Borgo, disse que o jornalista havia sido liberado e seu passaporte devolvido. Além de questões de praxe sobre os motivos da presença do estrangeiro no Brasil, a PF o questionou sobre urnas eletrônicas, fraude eleitoral, vacinas e o que chamou de “ditadura do Judiciário”, informou a defesa.
Depois de ser liberado pela PF, Tavares foi ao ato em defesa pela democracia na Avenida Paulista. Nesta semana, . A ideia dele será cobrir o evento programado para ocorrer no próximo domingo, 21, na Praia de Copacabana. Convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o ato visa marcar posição em favor da democracia e da liberdade de expressão.
Revista , com informações da Agência Estado
Fonte: revistaoeste





