Zezé Motta adotou garoto que vivia nas ruas e ele se emociona ao contar da mãe 30 anos depois; vídeo
Pouca gente conhecia essa história da vida de Zezé Motta. Há 30 anos, a atriz e cantora adotou Robson, um garoto que foi abandonado aos 8 anos e vivia nas ruas do Rio de Janeiro. Hoje, aos 45 anos, ele se emocionou ao contar ao apresentador Paulo Vieira, do programa Avisa Lá Que Eu Vou (GNT), como conheceu a artista e ouviu dela as palavras que tanto sonhava: “Agora eu sou sua mãe”. O vídeo emocionante já ultrapassou 1,4 milhão de visualizações no Instagram do apresentador.
Na entrevista, Robson contou que a mãe dele foi vítima de estupro e deu a criança para um casal criar. Anos depois, esse casal abandonou o menino nas ruas. Ele pegou um trem e foi para a Central do Brasil, onde viveu até os 13 anos. Nessa época, uma pessoa disse para ele procurar o Juizado de Menores. Lá ele foi encaminhado para um abrigo. Nesse abrigo conheceu um homem que o convidou para ir no casamento dele. E foi justamente no casamento que a Zezé Motta se sentou ao lado dele e soube da história do menino.
Sensibilizada, a atriz prometeu buscá-lo na sexta-feira seguinte e cumpriu a palavra. “Agora eu sou sua mãe”, disse a Zezé. Ao relembrar do gesto, Robson chorou e também emocionou Paulo Vieira. A revelação também comoveu seguidores famosos, que elogiaram Zezé Motta pela atitude. “Gente que emocionante. Zezé maravilhosa”, escreveu Mônica Martelli. “Que coisa linda”, disse Ingrid Guimarães. Fátima Bernardes comentou: “Que emocionante”. E Deborah Bloch declarou: “Que história linda. Viva Zezé Motta maravilhosa demais. Te amo”.
Abandonado aos 8 anos, foi morar na Central do Brasil
Robson nasceu em Nilópolis, em 21 de setembro de 1981. Na entrevista, ele contou que, aos oito anos, foi deixado pelo casal no calçadão de Nilópolis. Disseram que alguém voltaria para buscá-lo, mas isso não aconteceu. “Tu vai ficar aqui no calçadão, depois alguém vai vir te buscar”, lembrou Robson.
Sozinho, o menino encontrou uma maneira de sair dali. Viu um trem, passou por baixo da roleta e embarcou sem saber exatamente para onde estava indo. “Eu olhei o trem, porque na minha cabeça o trem sempre ia pra algum lugar. E eu falei: ‘Opa, vou entrar no trem’.”
Foi assim que chegou à Central do Brasil, uma das estações ferroviárias mais movimentadas do Rio de Janeiro, e passou a viver nas ruas da região. Mesmo cercado por dificuldades, Robson não desistia de encontrar uma família. Ele imaginava que, entre milhares de pessoas que circulavam diariamente pela estação, alguém poderia perceber que estava sozinho.
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O maior sonho
“Qual era o meu maior sonho? Ter uma família, ter uma geladeira, ter um lugar pra morar”, contou.
A esperança era ouvir alguém chamar pelo nome dele e oferecer um lar. “Na minha cabeça, na Central, passando muitas pessoas, alguém ia falar assim: ‘Vem, Robson. Tudo bem? Tá fazendo o quê aqui?’ Me levar pra casa.”
Mas ninguém apareceu.
Procurou o Juizado de Menores sozinho
Robson continuou vivendo nas ruas até que uma pessoa que frequentava um quiosque sugeriu que procurasse o Juizado de Menores. Lá, poderia receber ajuda para estudar e tentar entrar no processo de adoção. O adolescente decidiu ir sozinho.
“Eu sou de rua, moro na Central do Brasil, queria tanto uma família, sabe? Eu queria ter uma família”, contou, lembrando como se apresentou aos funcionários. E o pedido deu resultado. Ele foi encaminhado para um abrigo, passou a estudar e encontrou educadores que o ajudaram a construir uma nova rotina.
Foi nessa instituição que surgiu o convite para participar de um casamento em Nilópolis. Um educador social que trabalhava no abrigo iria se casar e sorteou alguns jovens para acompanhar a cerimônia. Robson foi um dos escolhidos. “Eu tava doido pra ir pra comer, saiu o meu nome.”
Conheceu Zezé Motta por acaso em um casamento
Ele contou que no casamento, uma mulher se sentou ao lado dele. Robson não sabia quem era. Ela perguntou se ele era parente do noivo. A resposta surpreendeu a artista. “Não, não, não. Eu moro no abrigo, estudo, eu vim aqui mais pra comer mesmo. O educador me chamou e eu vim pra comer.”
Aí ela quis saber por que o menino morava em um abrigo e ouviu o relato sobre o abandono e os anos passados nas ruas. Foi então que prometeu visitá-lo. “Então sexta-feira eu vou lá no abrigo e você vai ser meu filho”, disse Zezé Motta ao Robson.
E ele contou ao Paulo Vieira que a atriz apareceu no dia combinado. A aproximação levou à adoção, e ele passou a fazer parte da família de Zezé.
Robson escreveu livro e passou a ajudar crianças
Robson transformou a experiência em um livro, À Procura de uma Família, publicado em 2007, no qual relata a infância e a importância dos vínculos familiares. Em depoimento ao Museu da Pessoa, em 2016, ele contou que a convivência com Zezé abriu oportunidades de estudo e formação artística. Ele também recebeu apoio do ator Stepan Nercessian e de profissionais ligados à proteção da infância.
Mais tarde, criou a Rede Cultura Social, organização fundada em 2009 para ampliar o acesso de crianças e adolescentes a atividades culturais. Segundo o registro do Museu da Pessoa, o projeto promoveu visitas a teatros, cinemas e museus para mais de 4,5 mil crianças e adolescentes.
Robson também escreveu peças teatrais e trabalhou em iniciativas ligadas ao atendimento de jovens em situação de acolhimento. Sua história foi registrada no acervo do Museu da Pessoa com o título Desabandono.
Quem é Zezé Motta, a atriz que adotou Robson
Zezé Motta, de 82 anos, é uma das maiores atrizes e cantoras negras da história do Brasil. Nascida em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, em 27 de junho de 1944, ela iniciou a carreira profissional em 1968, no musical Roda Viva, de Chico Buarque, dirigido por José Celso Martinez Corrêa.
Seu nome verdadeiro é Maria José Motta. Ao longo de quase seis décadas de carreira, participou de mais de 70 filmes e dezenas de novelas e produções para a televisão. O reconhecimento internacional veio com o filme Xica da Silva, de 1976, dirigido por Cacá Diegues. A interpretação da personagem histórica marcou o cinema brasileiro e rendeu à atriz importantes prêmios.
Na televisão, atuou em novelas como Corpo a Corpo (1984), A Próxima Vítima (1995), Corpo Dourado (1998) e O Outro Lado do Paraíso (2017). Também participou da novela Xica da Silva, exibida pela Rede Manchete em 1996, interpretando a mãe da protagonista vivida por Taís Araújo.
Em 2026, voltou às novelas da Globo em A Nobreza do Amor, no papel de Dona Menina, personagem ligada à ancestralidade e aos conhecimentos tradicionais da comunidade em que vive. Além da atuação, Zezé construiu uma carreira musical com mais de dez discos e apresentações em países como Estados Unidos, França, Alemanha, Angola e Portugal.
Não teve filhos biológicos
Zezé Motta já revelou em entrevistas que sofreu três abortos espontâneos, por isso não teve filhos biológicos.
Em 2024 ela contou em entrevista ao Gshow que adotou quatro filhos: Luciana, Carla, Cíntia e Robson.
Zezé Motta também fez história na luta contra o racismo
A atriz esteve entre os fundadores do Movimento Negro Unificado, criado em 1978, e participou de iniciativas para ampliar a presença de artistas negros no cinema, no teatro e na televisão.
Em Corpo a Corpo, sua personagem Sônia viveu um relacionamento amoroso com um homem branco, interpretado por Marcos Paulo. A trama provocou manifestações racistas de parte do público, episódio que a atriz relembrou em entrevistas posteriores.
Zezé também ajudou a fundar o Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro, o Cidan, criado para valorizar profissionais negros e combater a discriminação no mercado artístico.
Em março de 2026, Zezé recebeu uma homenagem especial no Prêmio Shell de Teatro, em reconhecimento à trajetória artística. A atriz continua trabalhando e participando de produções culturais, quase seis décadas depois da estreia nos palcos brasileiros.
Uma mulher para ser aplaudida de pé!
Assista ao vídeo do Robson contando como a atriz Zezé Motta adotou o garoto abandonado:
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Fonte: sonoticiaboa





