As mensagens foram divulgadas pelo UOL e confirmadas pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação. A apuração aponta que Vorcaro se aproximou de Toffoli de olho em um voto favorável do ministro em um processo envolvendo direitos creditórios de usinas do setor sucroalcooleiro, que representavam um patrimônio bilionário para o Master – semelhante ao recente caso envolvendo pessoas ligadas ao ministro Nunes Marques [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/turma-do-kn-cnj-faz-operacao-contra-desembargador-ligado-a-nunes-marques/].
A reportagem procurou todos os citados na apuração para se pronunciarem e aguarda retorno. Ao UOL, a defesa de Vorcaro repudiou o vazamento das informações que fizeram parte de uma das propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “A defesa não confirma o conteúdo do material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”, pontuou.
Na proposta de colaboração rejeitada pela PGR por insuficiência de provas, Vorcaro afirma que acertou em 2021 o pagamento de R$ 35 milhões por uma fatia do empreendimento, mas desembolsou R$ 20 milhões e deixou R$ 15 milhões pendentes. Segundo o relato, o restante não foi pago porque Toffoli teria se afastado dele após críticas feitas por pessoas próximas ao ministro.
A versão apresentada por Vorcaro sustenta que a relação só teria sido retomada no início de 2025, durante um evento social de um amigo em comum. Na ocasião, segundo o ex-banqueiro, o empresário Alberto Leite teria oferecido comprar sua participação no Tayayá, embora ele diga ter conversado pouco com Toffoli durante o encontro.
As mensagens, porém, indicam que a cobrança dos R$ 15 milhões já ocorria em 2024, antes do suposto reencontro descrito na proposta de delação. Em 24 de maio daquele ano, horas depois de receber uma ligação de Toffoli, Vorcaro escreveu ao cunhado Fabiano Zettel que ele “nao resolveu o aporte no fundo. Tayayá. Estou em situação ruim”.
Os diálogos mostram ainda que a negociação com Alberto Leite também teria começado antes do evento de 2025 citado por Vorcaro. Em 5 de novembro de 2024, ele escreveu a Leite que “estou pronto pra executar aquele deal que falamos”, recebendo como resposta um “beleza”.
Na mesma noite, Vorcaro avisou Zettel que “aquele FIP [fundo de investimento] Tayayá tem que passar pra um amigo que vai comprar” e, em seguida, identificou o comprador como “Alberto”. Em 27 de dezembro, voltou a tratar do negócio e escreveu que “preciso fazer contrato de venda do fundo Tayayá”, estabelecendo prazo de pagamento de até 180 dias e registrando uma citação a “sem nome” sobre o comprador.
A cronologia registrada nas mensagens inclui ainda uma confirmação em fevereiro de 2025. No dia 19 daquele mês, Zettel informou a Vorcaro que “Alberto Leite concluído! Tá todo feliz”, indicando que a operação havia sido finalizada.
Outro ponto citado pela PF é a ligação entre o negócio e o fundo Arleen, administrado pela gestora Reag, também investigada no caso Master. Em 2021, o fundo adquiriu dos irmãos de Toffoli uma participação no Tayayá por R$ 20 milhões, valor igual ao montante que Vorcaro afirma ter aplicado inicialmente no empreendimento.
Na nota divulgada em fevereiro de 2026, Toffoli afirmou que a Maridt Participações, empresa presidida por um de seus irmãos e que teve participação no Tayayá, é “uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado”. O ministro também declarou que “todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado” e que os atos da empresa e de seus sócios foram devidamente informados à Receita Federal, “sem nenhuma restrição”.
Fonte: gazetadopovo





