Mais de 90 perfis em redes sociais foram removidos pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) após compartilharem vídeos ligados ao caso de estupro coletivo de duas crianças ocorrido no fim de abril, na capital paulista.
A ação foi conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), com apoio da organização internacional National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC), responsável por receber denúncias de exploração infantil e notificar plataformas digitais para retirada de conteúdos ilegais.
De acordo com a SSP-SP, o compartilhamento das imagens, mesmo quando feito sob alegação de ajudar nas investigações, configura crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A delegada responsável pelo Noad, Lisandrea Salvariego Colabuono, afirmou que parte das publicações apresentava indícios claros de intenção criminosa, como a criação de perfis falsos exclusivamente para disseminar o material.
A legislação brasileira prevê pena de reclusão de um a quatro anos e multa para quem divulga imagens ou vídeos com conteúdo obsceno envolvendo crianças e adolescentes.
As investigações sobre os compartilhamentos seguem em andamento e foram incorporadas ao mesmo inquérito que apura o estupro coletivo, conduzido pelo 63º Distrito Policial de São Paulo.
Segundo o delegado Júlio Geraldo, a polícia também busca identificar pessoas que tiveram acesso ao conteúdo original e participaram da disseminação do material nas redes sociais.
Caso ocorreu na Zona Leste de São Paulo
O crime aconteceu em 21 de abril, no bairro Vila Jacuí, na Zona Leste da capital paulista. Dois meninos, de 7 e 10 anos, foram levados por cinco suspeitos a um imóvel sob o pretexto de empinar pipa.
No local, os garotos foram vítimas de violência sexual. O crime foi gravado e posteriormente divulgado nas redes sociais.
A denúncia foi registrada três dias depois, quando a irmã de uma das vítimas reconheceu um dos meninos nas imagens divulgadas.
Os envolvidos foram presos e indiciados pela Polícia Civil. Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, foi capturado na cidade de Brejões, na Bahia, na terça-feira (5). Segundo a polícia, ele confessou participação no crime.
Os outros quatro envolvidos, adolescentes com idades entre 14 e 16 anos, também confessaram o ato e foram encaminhados à Fundação Casa.
Aumento de casos de estupro de vulnerável
Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública apontam que São Paulo registrou 2.942 casos de estupro de vulnerável entre janeiro e março de 2026.
O número representa aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em março foram contabilizados 1.135 registros, o maior volume do trimestre.
Fonte: cenariomt




