Economia

Varejo otimista: Preço do chocolate para a Páscoa apresenta menor resistência

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2026

A Páscoa de 2026 chega com um sinal importante para o varejo: o consumidor brasileiro ainda está atento ao preço, mas menos resistente a ele. É o que aponta a pesquisa “Intenção de Compras para a Páscoa 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.

Segundo o levantamento, embora 52% dos consumidores ainda considerem os produtos de Páscoa caros, houve uma queda expressiva de 16 pontos percentuais nessa percepção em relação a 2025. O dado indica uma mudança relevante no comportamento de compra e ajuda a explicar por que o mercado projeta uma data com expansão moderada, com 106,8 milhões de consumidores ativos.

Esse cenário não significa, necessariamente, um consumidor mais despreocupado com o orçamento, pelo contrário. A pesquisa mostra que 51% dos não compradores estão priorizando o pagamento de dívidas, enquanto 82% dos consumidores pretendem pesquisar preços antes de comprar. Ainda assim, há uma disposição maior para consumir dentro das possibilidades.

Na prática, o que se desenha é um consumidor mais estratégico: compara, planeja, mas não abre mão da data.

Para Priscilla Caselatto, gerente de marketing de Chocolates da Nestlé, essa mudança está diretamente ligada à forma como os brasileiros vêm adaptando suas celebrações. “A Páscoa segue extremamente relevante no Brasil. Ao mesmo tempo, a forma de consumo vem se adaptando ao tamanho das comemorações. O consumidor segue valorizando a data, mas está mais atento às diferentes possibilidades de escolha”, afirma.

Segundo ela, isso explica a maior procura por produtos em múltiplos formatos e faixas de preço, sem que o ovo de Páscoa perca seu papel simbólico.

Mais variedade, menos rigidez

Os dados da pesquisa reforçam essa leitura. A cesta média prevista para a data é de R$ 253, com cerca de cinco produtos por consumidor, uma combinação que inclui ovos, barras e bombons. Esse comportamento revela uma mudança importante: o foco não está apenas no produto principal, mas na diversidade da experiência.

Além disso, o consumo segue fortemente ligado ao aspecto emocional da data. Cerca de 54% dos consumidores pretendem comprar chocolates para os filhos, 36% para as mães e 35% para o cônjuge. Ao mesmo tempo, cresce o movimento de auto presente: 33% afirmam que vão comprar para si mesmos, especialmente entre mulheres e consumidores das classes A e B.

Esse equilíbrio entre afeto, planejamento e adaptação financeira ajuda a explicar a menor resistência ao preço.

Crescimento pode vir mais do mix do que do ticket

Com o consumidor ajustando suas escolhas ao tamanho da celebração, a expectativa do setor não está concentrada apenas no aumento do ticket médio, mas também na ampliação do mix de produtos. “A Páscoa deste ano reforça a busca por variedade, acessibilidade e custo-benefício. Por isso, trabalhamos com um portfólio amplo, com itens presenteáveis a menos de R$ 10 até opções mais elaboradas”, explica Priscilla.

A executiva destaca que a estratégia passa por atender diferentes ocasiões de consumo, desde lembranças simples até presentes mais completos, o que amplia as possibilidades de conversão no varejo.

Outro ponto relevante é a escala da operação. A Nestlé, por exemplo, produziu cerca de 180 milhões de ovos de Páscoa e itens presenteáveis, distribuídos em mais de 500 mil pontos de venda no país, incluindo marcas como Nestlé e Garoto, além das redes Brasil Cacau e Kopenhagen.

Estratégia no varejo: menos pressão, mais experiência

A redução na percepção de preço também muda o jogo para o varejo. Se antes a disputa era fortemente concentrada em descontos, agora há mais espaço para trabalhar exposição, experiência e sortimento.

Segundo Priscilla, a estratégia da companhia passa por reforçar os itens mais vendidos, ampliar canais e investir na presença de marca dentro do ponto de venda. “Estamos apostando em ambientes mais atrativos, com materiais visuais, iluminação e experiências que reforcem o ato de presentear. A ideia é facilitar a escolha e tornar a jornada mais envolvente”, afirma.

Esse movimento ganha ainda mais relevância quando se considera que 95% das compras devem acontecer em lojas físicas, com destaque para supermercados (62%), lojas especializadas (44%) e grandes varejistas (38%).

Apesar do cenário mais favorável, o consumidor segue criterioso. A pesquisa mostra que 82% pretendem pesquisar preços, e 40% intensificam esse monitoramento nas duas semanas que antecedem a data.

Além disso, 45% devem deixar a compra para a última semana, concentrando a decisão em um curto espaço de tempo — o que exige agilidade e estratégia do varejo. Nesse contexto, equilibrar competitividade e margem se torna um dos principais desafios.

“Uma das formas de lidar com isso é fortalecer a experiência no ponto de venda, com atendimento e orientação ao consumidor. A diversidade de produtos também ajuda, pois permite que cada cliente encontre uma opção adequada ao seu orçamento”, explica Priscilla.

Espaço para todos, do tradicional ao artesanal

Outro destaque da pesquisa é o avanço do segmento artesanal, que deixa de ser nicho e passa a competir diretamente com a indústria. Cerca de 40% dos consumidores consideram comprar ovos artesanais, motivados principalmente pela percepção de qualidade e pela personalização.

Ainda assim, as grandes marcas mantêm força, especialmente pela distribuição e lembrança de marca. Os ovos de chocolate lideram a preferência (56%), seguidos por bombons (50%) e barras (39%).

Para Priscilla, o cenário é menos de disputa e mais de coexistência. “Esse ambiente mais favorável fortalece tanto as marcas tradicionais quanto abre espaço para diferentes propostas. A diversidade de portfólio e a capacidade de atender diferentes perfis de consumo são determinantes nesse contexto”, afirma.

Mais do que uma data comercial, a Páscoa se consolida como um evento social e familiar. Segundo a pesquisa, 97% dos consumidores pretendem celebrar, principalmente em casa (58%) ou na casa de familiares (28%). Esse dado ajuda a entender por que, mesmo diante de um cenário econômico desafiador, o consumo se mantém resiliente.

No fim, a queda na percepção de preços não significa que o chocolate ficou barato, mas sim que o consumidor encontrou formas de encaixar a tradição no próprio orçamento.

Fonte: cenariomt

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