Uma arquiteta encontrou uma forma incomum de transformar um antigo carro de passageiros em espaço de moradia e trabalho. No início dos anos 2000, Karina Pimentel comprou um vagão de cerca de 37 toneladas em um leilão e decidiu adaptá-lo para funcionar como casa e escritório em Curitiba.
O projeto, porém, começou com um desafio logístico. O terreno escolhido ficava diante da linha férrea, mas os trilhos não poderiam ser usados para levar a estrutura até o destino. A alternativa foi retirar o vagão dos rodados e transportá-lo pelas ruas da cidade.
Terreno foi comprado antes do vagão
Em julho de 2001, Karina comprou um terreno no bairro Hugo Lange. O lote tinha 11 metros de frente e 24,50 metros de profundidade, além de ficar próximo à linha férrea.
Em abril de 2002, ela participou de um leilão da Rede Ferroviária Federal e arrematou um carro de passageiros metálico. A estrutura tinha 18,64 metros de comprimento, 2,75 metros de largura e aproximadamente 37 toneladas.
O prazo para retirar o vagão era de três meses. Por isso, a mudança exigiu planejamento para definir tanto o transporte quanto o caminho até o terreno.
Vagão foi levado por caminhões
Sem a possibilidade de usar os trilhos, a estrutura foi retirada dos próprios rodados e preparada para o transporte rodoviário. A operação envolveu dois caminhões e foi dividida em viagens distintas.
- Um caminhão transportou os dois rodados originais, com cerca de 3,5 toneladas cada.
- Outro veículo levou o vagão sem as rodas, com aproximadamente 30 toneladas.
- Macacos mecânicos foram usados para suspender a estrutura durante a operação.
- A parte dianteira ficou acoplada ao caminhão, enquanto a traseira recebeu um eixo adaptado com pneus.
O transporte exigiu cuidados por causa das dimensões do antigo carro de passageiros. Antes da viagem, a equipe analisou o percurso e verificou os obstáculos existentes nas ruas.
Rota foi estudada antes da mudança
As características das vias precisaram ser avaliadas antes do deslocamento. Entre os pontos analisados estavam a altura dos fios de tensão elétrica e o espaço disponível em um viaduto da Rua Sete de Setembro.
A operação ocorreu em 7 de julho de 2002, um domingo. A escolha do trajeto levou em conta o comprimento do vagão, que chegava a quase 19 metros, além dos obstáculos encontrados ao longo do caminho.
Estrutura virou residência e escritório
Depois de chegar ao terreno, o vagão ganhou uma nova finalidade. A arquiteta transformou a estrutura em uma residência que também servia como escritório.
O projeto aproveitou elementos originais do carro de passageiros e acrescentou recursos necessários para o uso diário. Os bancos de couro originais foram mantidos na área de jantar, enquanto os banheiros passaram por adaptações.
A reforma também preservou características visuais do antigo veículo. Assim, mesmo transformado em imóvel, o espaço continuou remetendo à sua origem ferroviária.
Casa manteve relação com a ferrovia
O resultado criou uma situação singular em Curitiba: um antigo trem passou a servir como moradia em um terreno localizado diante da própria linha férrea.
A transformação uniu arquitetura e reaproveitamento de uma estrutura que originalmente tinha outra função. O projeto mostra como um veículo ferroviário de grande porte pôde ser retirado dos trilhos, transportado por vias urbanas e adaptado para uma nova finalidade.
O caso foi registrado em reportagens da época, que destacaram tanto a operação de transporte quanto a reforma do carro de passageiros. A história também mostra os desafios envolvidos na adaptação de uma estrutura metálica desse porte para uso residencial e profissional.
Fonte: cenariomt





