Saúde

Vacinação contra Covid-19: Legado Científico e Industrial para o SUS

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A corrida global para desenvolver uma vacina contra a covid-19 em tempo recorde deixou marcas permanentes no sistema público de saúde brasileiro. Menos de um ano após o primeiro alerta oficial sobre o novo coronavírus, o início da vacinação em outros países simbolizou o resultado de décadas de acúmulo científico e cooperação internacional.

Para a diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz, Rosane Cuber, a rapidez no desenvolvimento dos imunizantes foi resultado do uso de plataformas já conhecidas, como as vacinas de RNA mensageiro e de vetor viral. Segundo ela, essas tecnologias não surgiram do zero, mas passaram por adaptações baseadas em pesquisas anteriores.

Durante a pandemia, Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz responsável pela produção de vacinas e biofármacos, liderou no Brasil o processo de incorporação da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca. Ao todo, o instituto entregou cerca de 190 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações.

Mobilização institucional

Assim que os primeiros casos de covid-19 começaram a se espalhar pelo mundo, o instituto reorganizou suas atividades. Em março de 2020, passou a produzir testes diagnósticos e, paralelamente, iniciou a prospecção de vacinas em desenvolvimento para viabilizar acordos de transferência de tecnologia.

As negociações com Oxford e a AstraZeneca começaram ainda em 2020 e exigiram adaptações jurídicas, técnicas e operacionais. Para viabilizar o projeto, outras atividades foram temporariamente interrompidas, concentrando equipes e recursos em um único objetivo: garantir a produção nacional do imunizante.

Transferência de tecnologia

As primeiras doses prontas chegaram ao Brasil em janeiro de 2021, após autorização de uso emergencial. Nos meses seguintes, Bio-Manguinhos passou a realizar o envase, a rotulagem e o controle de qualidade, importando apenas o ingrediente farmacêutico ativo.

A etapa final da transferência ocorreu com a adaptação das áreas produtivas para fabricar o insumo no país. A partir de fevereiro de 2022, a população passou a receber uma vacina totalmente produzida em território nacional.

O processo contou com acompanhamento contínuo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, reforçando a segurança do imunizante. Segundo Rosane Cuber, a experiência prévia do instituto em nacionalização de vacinas foi decisiva para o sucesso da operação.

Legado para o SUS

Com o avanço da imunização e a incorporação de novas tecnologias pelo Ministério da Saúde, a produção foi encerrada após o fim da fase mais crítica da pandemia. Ainda assim, o imunizante da Fiocruz foi o mais utilizado no Brasil em 2021, ano marcado pelo início da vacinação em massa. Estimativas indicam que centenas de milhares de vidas foram poupadas nesse período.

Além do impacto direto no controle da doença, o processo deixou uma herança estrutural para o Sistema Único de Saúde. Uma das iniciativas em andamento é o desenvolvimento de uma terapia avançada para tratar a atrofia muscular espinhal, baseada na mesma plataforma de vetor viral usada na vacina contra a covid-19.

Bio-Manguinhos também avança em pesquisas com RNA mensageiro, tecnologia aplicada em vacinas e terapias inovadoras. A produção nacional desses imunizantes é vista como estratégica para reduzir custos, garantir soberania sanitária e ampliar o acesso da população.

O desempenho durante a pandemia elevou a projeção internacional do instituto, que passou a integrar redes globais de preparação para epidemias e foi reconhecido como centro regional de desenvolvimento tecnológico. Para Rosane Cuber, o principal retorno desse esforço é social. O foco do laboratório público não é o lucro, mas o benefício direto à população brasileira.

Fonte: cenariomt

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