Um novo passo rumo à criação da chamada Universidade do Mar será apresentado na próxima sexta-feira (17), no Rio de Janeiro. A iniciativa reúne o Movimento Baía Viva, o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nides/UFRJ) e a Petrobras, responsáveis pela implantação do Centro de Formação em Economia do Mar Baía de Guanabara.
O espaço funcionará no Hangar Náutico da UFRJ, na Ilha do Fundão, e terá como foco a capacitação gratuita de moradores de áreas próximas à Baía de Guanabara, incluindo municípios como Itaboraí, Magé, Maricá, São Gonçalo, Duque de Caxias e Guapimirim.
Idealizado desde 1984 pelo Movimento Baía Viva, o projeto ganha agora forma concreta. A proposta é oferecer formação voltada a grupos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, além de comunidades tradicionais, como pescadores, indígenas e quilombolas.
Segundo o ecologista Sérgio Ricardo Lima, coordenador do centro, a iniciativa ganhou força nos últimos anos com apoio institucional de universidades e entidades científicas. Ao todo, foram reunidas mais de 100 cartas de apoio de instituições acadêmicas do estado.
O projeto foi selecionado em edital socioambiental da Petrobras, dentro da linha de desenvolvimento econômico sustentável, o que viabilizou sua implementação.
Infraestrutura e cursos
O hangar passará por obras ainda neste semestre e contará com estrutura para receber estudantes de diferentes regiões. O local terá alojamento para até 30 pessoas, além de salas de aula com capacidade total para 120 alunos por turno.
Até 2028, estão previstos dez cursos e oficinas nas áreas de inovação social e tecnológica, todos com certificação válida em todo o país. Entre as formações, destaca-se o curso de carpintaria naval artesanal, voltado à recuperação de saberes tradicionais da pesca.
Outras atividades incluem capacitações em agroecologia, turismo comunitário, empreendedorismo solidário, mecânica de motores de embarcações e operação de drones.
Além das formações, o projeto prevê um diagnóstico participativo nos municípios atendidos. Pesquisadores e bolsistas irão mapear políticas públicas e iniciativas locais ligadas à economia do mar, bioeconomia e economia solidária.
A proposta é fortalecer ações que contribuam para geração de renda e melhoria das condições de vida nas comunidades, além de incentivar a criação de um Arranjo Produtivo Local Sustentável na região da Baía de Guanabara.
De acordo com os organizadores, a articulação entre universidades, poder público e sociedade civil será essencial para consolidar o projeto e ampliar seus impactos econômicos e sociais.
Fonte: cenariomt





