O que deveria ser um dos momentos mais marcantes e felizes na vida de uma mulher acabou se transformando em trauma para Júlia Mariana da Silva Lara. O nascimento do filho Dante foi saudável, mas a lembrança do parto ainda é dolorosa.
Segundo ela, a violência começou ainda nos primeiros procedimentos. “Fizeram o toque e eu senti que a profissional estava empurrando o colo do meu útero. Ela estava com unha de gel e aquilo machucou muito. Contração já é muita dor. Eu comecei a gritar e pedi para ela parar. Mesmo assim, ela repetiu mais três vezes”, relatou.
Júlia Mariana também contou que, já na sala de parto, foi informada de que seria utilizado um equipamento na cabeça do bebê para “ajudar a sair mais rápido”.
“Ela disse: ‘Vou colocar isso na cabeça do seu filho e, quando você fizer força, eu vou puxar’. Eu só fui entender a gravidade depois. É um equipamento que pode ser usado, mas quando pesquisei vi relatos graves. Fiquei desesperada. Graças a Deus, deu tudo certo”, afirmou.
Apesar do desfecho positivo para o bebê, a mãe se queixa da falta de acolhimento, da dor intensa e da ausência de informações claras durante o atendimento.
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O que é violência obstétrica?
A violência obstétrica acontece quando há abusos físicos, psicológicos ou negligência durante a gestação, o parto ou o pós-parto. Pode incluir desrespeito à dor da mulher, procedimentos sem consentimento e falta de explicação adequada.
Principais formas, segundo o Ministério da Saúde:
- Uso de ocitocina sem necessidade ou consentimento
- Manobra de Kristeller (pressão na barriga)
- Corte no períneo sem autorização
- Impor posição deitada
- Gritos, piadas ou ameaças
- Negar analgésicos
- Impedir a presença de acompanhante
A auxiliar de administrativo Thalyta Falcão Ojeda da Costa também só percebeu depois que algumas situações vividas no nascimento da filha Marceline não eram adequadas.
“Eles ficaram me oferecendo ‘sorinho’, mas sem explicar exatamente o que era. Como eu já tinha me preparado, sabia que era ocitocina. A sensação que tive foi que queriam que o meu parto fosse o mais rápido possível”, contou.
Ela também relata que, após o nascimento da filha, enquanto o companheiro acompanhava o bebê, os profissionais iniciaram a retirada manual da placenta. “Poderia ter causado uma hemorragia muito séria”, afirmou.
O relato da irmã fez com que Stephany Falcão optasse por contratar uma doula durante a gestação. Segundo ela, o acompanhamento fez toda a diferença no nascimento da filha Isis Melinda.
“Foi uma experiência única, maravilhosa. Totalmente diferente dos relatos que eu tinha ouvido”, disse.
Após o parto, Stephany decidiu seguir a profissão e hoje orienta gestantes sobre seus direitos. “A gente explica o que é certo, o que não é, o que caracteriza violência obstétrica e quais são os direitos dela e do acompanhante. É um momento único na vida da mulher. Tem que ser lembrado como algo incrível, não como um trauma.”
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Quando há suspeita de violência obstétrica, a mulher pode:
- Registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil
- Denunciar na Secretaria de Saúde
- Acionar conselhos profissionais
- Buscar apoio jurídico
Outro lado
Em nota, o Conselho Regional de Medicina informou que possui sistema de responsabilização ética para possíveis desvios de conduta, que pode variar de advertência à cassação do exercício profissional. O órgão destacou ainda que não compactua com erros, abusos ou condutas incompatíveis com a prática médica.
Fonte: primeirapagina






