Saúde

Tratamentos inadequados para asma podem piorar sintomas em adultos: saiba mais!

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

Um levantamento com cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) revelou que 60% dos adultos com asma apresentaram função pulmonar reduzida devido ao uso de tratamentos considerados defasados, como as bombinhas de resgate. Entre crianças, o índice foi de 33%.

Os dados fazem parte de uma pesquisa do Projeto CuidAR, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. O estudo indica que a maior parte dos pacientes acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS) recebe medicação fora das recomendações atuais, o que pode levar a danos pulmonares significativos.

Entre os principais problemas identificados está o uso isolado de broncodilatadores de curta ação, conhecidos como SABA. Esses medicamentos, popularmente chamados de bombinhas de resgate, são utilizados por mais da metade dos pacientes avaliados.

De acordo com diretrizes internacionais, esses fármacos não são eficazes no controle prolongado da doença, pois apenas aliviam sintomas momentâneos sem tratar a inflamação. Isso pode elevar o risco de crises graves e até de morte.

Resultados do estudo

Os testes de espirometria mostraram que muitos pacientes já iniciavam o exame com função pulmonar abaixo do esperado. Mesmo após o uso de broncodilatadores, a maioria dos adultos e parte das crianças não conseguiu recuperar níveis normais, o que sugere possível dano irreversível causado por tratamento inadequado ao longo do tempo.

Atualmente, o protocolo recomendado inclui o uso combinado de broncodilatadores de longa ação com medicamentos anti-inflamatórios inalados. No entanto, segundo os pesquisadores, esse padrão ainda não é amplamente adotado nas UBSs.

O impacto da doença também se reflete na rotina dos pacientes. Em média, 60% dos participantes perderam dias de trabalho ou estudo no último ano. O absenteísmo atinge mais de 80% das crianças e adolescentes e cerca de 50% dos adultos.

Além disso, quase 70% relataram três ou mais crises recentes, metade precisou de atendimento emergencial e 10% foram hospitalizados. A mortalidade também preocupa, com média de seis mortes diárias no país.

Propostas e soluções

O estudo sugere a ampliação do uso de tecnologias acessíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), como o medidor de pico de fluxo expiratório, conhecido como Peak Flow. O dispositivo, de custo aproximado de R$ 200, pode facilitar o monitoramento da doença em comparação à espirometria tradicional, que possui custo mais elevado.

Outra medida proposta é o investimento em capacitação contínua de profissionais de saúde, com foco na atualização de protocolos e na conscientização da população sobre a importância do tratamento adequado da asma.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.