O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou críticas à denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de planejar um golpe de Estado.
Tarcísio classificou a ação como uma “forçação de barra” e exemplo de “revanchismo”. A declaração foi feita durante a inauguração de uma praça em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.
“Não faz sentido nenhum, é uma forçação de barra, o que você tem hoje é uma questão de revanchismo”, disse o governador.
Ele destacou que, depois de ouvir os áudios obtidos pela Polícia Federal, não encontrou qualquer conexão concreta nas acusações contra Bolsonaro.
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Tarcísio alertou sobre o risco de responsabilizar pessoas sem evidências sólidas.
“Está se criando uma maneira de responsabilizar pessoas que não têm responsabilidade”, afirmou. “A gente não pode partir para esse tipo de vulgarização, isso é perigoso, isso cabe para o inimigo público número um hoje, vai caber para o inimigo número um de amanhã.”
Até então, ele havia abordado o tema apenas em suas redes sociais. Na quinta-feira 20, Tarcísio defendeu Bolsonaro no Instagram, afirmando que ele nunca se envolveu com qualquer movimento antidemocrático.
Durante o governo Bolsonaro, o governador do Estado de São Paulo foi ministro da Infraestrutura.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, na denúncia contra Jair Bolsonaro, acusa o ex-presidente de crimes que nem mesmo a Polícia Federal sustentou em seu relatório de investigação sobre a suposta tentativa de golpe, em 2022, quando Bolsonaro ainda era presidente.
A Procuradoria-Geral da República, órgão encarregado da acusação, responsabiliza o ex-presidente por dano ao patrimônio da União e deterioração de bens tombados ao citar os atos de 8 de janeiro de 2023, crimes não atribuídos a Bolsonaro pela PF.
O documento da PGR também sustenta, com base em indícios frágeis e sem comprovação, que Bolsonaro teria aprovado um plano para assassinar Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.
Gonet solicita a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados pelos envolvidos, incluindo o ex-presidente.
O relatório da Polícia Federal não incluiu a acusação relativa ao 8 de janeiro no indiciamento de Bolsonaro, embora estabeleça conexão entre os atos e o ex-mandatário. No documento final também não há menção a um suposto aval de Bolsonaro ao plano de assassinato.
Fonte: revistaoeste