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Takhi: O retorno do cavalo selvagem à Mongólia e a restauração ambiental

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2026

No Parque Nacional Hustai, na Mongólia, 354 cavalos takhi vivem livremente entre morros e estepes. A espécie, que permaneceu extinta na natureza por quase três décadas, voltou ao país graças a um projeto de restauração que reuniu pesquisadores mongóis e estrangeiros.

Também conhecido como cavalo-de-Przewalski, o takhi ocupa um lugar especial na cultura mongol. O animal aparece em roupas, brinquedos, pinturas e marcas comerciais e é considerado um símbolo de orgulho nacional.

Segundo o diretor do Parque Nacional Hustai, Dashpurev Tserendeleg, o nome takhi está associado a respeito, adoração, liberdade e resistência. Para ele, a recuperação da espécie demonstra a importância da cooperação internacional na preservação da fauna.

O animal recebeu o nome internacional de cavalo-de-Przewalski após o explorador russo Nikolai Przhevalsky enviar exemplares encontrados na Ásia Central para cientistas europeus no fim do século 19.

O takhi é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem ainda existente. Outros animais conhecidos como cavalos selvagens descendem de animais domesticados que retornaram à vida livre. Geneticamente, o takhi também se diferencia dos cavalos domésticos: possui 66 cromossomos, enquanto os domesticados têm 64.

Da captura à extinção

O interesse europeu pelo takhi cresceu rapidamente após sua descoberta. Entre 1897 e 1903, expedições capturaram 88 animais na Mongólia. Apenas 54 chegaram vivos aos destinos e somente 12 conseguiram deixar descendentes.

Enquanto a criação em cativeiro avançava, a população selvagem diminuía. O último takhi foi avistado na Mongólia em 1968. Sem novos registros depois disso, a espécie foi considerada extinta na natureza, e sua sobrevivência passou a depender dos animais mantidos fora de seu habitat original.

Na década de 1970, conservacionistas holandeses criaram um programa de reprodução para reorganizar e ampliar a população mantida em cativeiro. Os animais foram levados para reservas com condições próximas às encontradas na natureza, enquanto cientistas planejavam a reintrodução na Mongólia em parceria com a Associação Mongol para a Conservação da Natureza e do Meio Ambiente.

Em 5 de junho de 1992, os primeiros 15 cavalos chegaram à Mongólia para iniciar o processo de reintrodução em Hustai. Até 2000, cinco operações de transporte levaram 84 animais ao país.

Antes de serem libertados, os cavalos passaram por um período de adaptação em áreas cercadas. A medida foi necessária porque várias gerações haviam vivido em regiões de clima mais ameno e perdido parte da capacidade de enfrentar condições naturais da Mongólia, como neve e predadores.

População voltou a crescer

O processo de adaptação deu resultado. Os animais passaram a se reproduzir livremente nas estepes, e a população aumentou. Além dos mais de 300 takhi encontrados no Parque Nacional Hustai, outras duas populações foram reintroduzidas em áreas protegidas da Mongólia.

Somadas, as três populações chegam a cerca de 800 animais no país. O caso é considerado pelo diretor do parque um dos principais sucessos da cooperação entre mongóis e pesquisadores internacionais para evitar a extinção definitiva da espécie.

Conservação enfrenta novos desafios

Com 50 mil hectares, Hustai está entre os menores parques nacionais da Mongólia. A área é administrada por uma organização não governamental e não recebe subsídios regulares do Estado. Aproximadamente 90% da receita do parque vem do turismo.

A continuidade da recuperação do takhi depende também da conservação das estepes. A mudança climática e o crescimento dos rebanhos domésticos aumentam a pressão sobre áreas de pastagem já degradadas.

Segundo o Censo 2025 do Escritório Nacional de Estatísticas da Mongólia, o país possui cerca de 58 milhões de animais de rebanho, entre ovelhas, cabras, vacas e cavalos. A concentração excessiva de animais em determinadas regiões, associada a secas e invernos extremos, tem contribuído para a degradação dos pastos.

Esse cenário está relacionado aos debates da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a COP17, realizada em Ulaanbaatar. O encontro reúne governos para discutir o combate à desertificação, a restauração de terras degradadas e o fortalecimento da resistência diante das secas.

Nas comunidades próximas ao parque, uma das estratégias é criar novas fontes de renda para famílias nômades, reduzindo a dependência exclusiva da pecuária e a necessidade de ampliar os rebanhos.

O Parque Nacional Hustai apoia iniciativas como turismo comunitário, cultivo em estufas e produção de artesanato. A proposta é conciliar geração de renda e preservação ambiental, diminuindo a pressão sobre as áreas naturais.

Para Tserendeleg, oferecer alternativas econômicas aos pastores pode contribuir para a redução do crescimento dos rebanhos. A avaliação é que a proteção da natureza e a sustentabilidade das comunidades locais estão diretamente relacionadas à conservação do parque e à permanência do takhi na Mongólia.

Fonte: cenariomt

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