O setor público consolidado encerrou o mês de janeiro com superávit primário de R$ 103,7 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado positivo foi registrado em todas as esferas de governo, incluindo União, estados, municípios e empresas estatais.
Apesar do desempenho favorável, o saldo ficou ligeiramente abaixo do observado em janeiro de 2025, quando o superávit havia alcançado R$ 104,1 bilhões. O resultado primário representa a diferença entre receitas e despesas do setor público, sem considerar os gastos com juros da dívida.
No acumulado de 12 meses até janeiro, as contas públicas registraram déficit de R$ 55,4 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, o resultado anual também foi negativo, com déficit primário de R$ 55 bilhões.
Resultados por esfera
O Governo Central apresentou superávit primário de R$ 87,3 bilhões em janeiro, revertendo o resultado negativo de R$ 83,2 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. A diferença em relação aos números do Tesouro Nacional ocorre por causa da metodologia do Banco Central, que considera a variação da dívida dos entes públicos.
Os governos regionais — estados e municípios — contribuíram com resultado positivo de R$ 21,3 bilhões, valor próximo ao superávit de R$ 22 bilhões apurado em janeiro de 2025.
Em sentido oposto, as empresas estatais (excluídas Petrobras e Eletrobras) registraram déficit de R$ 4,9 bilhões, ampliando a pressão sobre o resultado consolidado. No mesmo mês do ano anterior, o saldo negativo havia sido de R$ 1 bilhão.
Os gastos com juros somaram R$ 63,6 bilhões no período, impactados pela taxa básica de juros elevada e pelo aumento do estoque da dívida. Com isso, o superávit nominal — que inclui o resultado primário e os juros — ficou em R$ 40,1 bilhões, abaixo dos R$ 63,7 bilhões registrados em janeiro de 2025.
No acumulado em 12 meses, o déficit nominal chegou a R$ 1,1 trilhão, ou 8,49% do PIB, indicador acompanhado por agências de classificação de risco e investidores para avaliar o nível de endividamento do país.
Dívida pública
A dívida líquida do setor público alcançou R$ 8,3 trilhões em janeiro, equivalente a 65% do PIB, com redução de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior. A queda foi influenciada pelo superávit primário, pela variação do PIB nominal e por ajustes na dívida externa líquida.
Já a dívida bruta do governo geral permaneceu em R$ 10,1 trilhões, ou 78,7% do PIB, nível estável em comparação ao mês anterior. O indicador é utilizado em análises internacionais sobre a situação fiscal do país.
Fonte: cenariomt






