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Superaquecimento em reator impacta pesquisas e produção de medicamentos

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2026

O superaquecimento de componentes nos painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, localizado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, deve atrasar a retomada das atividades científicas e a produção de radioisótopos utilizados na medicina. O incidente ocorreu na tarde de segunda-feira (23), segundo informações da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

A ocorrência provocou a evacuação do prédio e danos em dois painéis de controle, além de gerar fumaça no local. Apesar disso, as autoridades reforçaram que não houve risco à segurança nuclear nem vazamento de radiação.

Equipes da própria instituição, do Corpo de Bombeiros, do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realizaram inspeções no prédio. A qualidade do ar também está sendo monitorada, com apoio de equipamentos cedidos pela Cetesb.

Até o momento, não há diagnóstico definitivo sobre as causas do superaquecimento. A Cnen informou que uma empresa especializada foi contratada para elaborar um laudo técnico e estimar os custos de substituição dos equipamentos danificados.

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) também realizou vistorias nos dias seguintes ao incidente e confirmou que o evento teve caráter localizado, afetando cabeamentos, parte do teto e mobiliário. Os inspetores constataram ausência de risco radiológico associado ao ocorrido.

Segundo o Ipen, o reator estava desligado no momento do incidente. Ainda assim, alguns sistemas permaneciam energizados para garantir a segurança operacional, como os sistemas de refrigeração e monitoramento.

Os módulos afetados passarão por avaliação técnica detalhada, com acompanhamento da ANSN, que recomendou limpeza industrial especializada e supervisão da reforma do ambiente.

O reator IEA-R1, em operação há 68 anos, é o principal do país, com potência licenciada de 5 MW. Ele desempenha papel essencial na produção de radioisótopos para uso médico, além de apoiar pesquisas científicas e a formação de profissionais especializados.

Desde novembro de 2025, o equipamento já passava por readequações após a identificação de alterações em componentes internos, o que levou à interrupção preventiva das operações.

O Brasil possui atualmente quatro reatores de pesquisa, todos vinculados à Cnen. Em paralelo, está em construção um novo reator em Iperó (SP), com previsão de conclusão até 2029 e capacidade de 30 MW. O projeto visa garantir a autossuficiência nacional na produção de radioisótopos estratégicos para diagnósticos médicos.

Fonte: cenariomt

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