A sarcopenia é uma doença caracterizada pela perda acelerada de massa e força muscular, acompanhada da redução do desempenho físico. Embora seja mais comum após os 60 anos, especialistas alertam que o problema pode começar muito antes e tende a ganhar proporções preocupantes nas próximas décadas.
Isso porque, segundo a médica endocrinologista Bianca Paraguassú, um novo fator pode agravar ainda mais esse cenário: o uso indiscriminado de medicamentos injetáveis para emagrecimento sem o devido acompanhamento. A especialista fez o alerta no podcast Na Língua do PP, do Primeira Página. (Assista abaixo).
“Isso vai ser a grande epidemia aí dos próximos anos. Sarcopenia é pouca massa muscular”.
Bianca Paraguassú.
Para Bianca, o problema não começa apenas na terceira idade. O comportamento sedentário desde a infância já está alterando a composição corporal das novas gerações.
“Hoje a gente vê crianças que ficam o tempo inteiro sentadas e essas crianças não vão formar o seu banco de massa muscular. Aí elas vão engordar, vão precisar perder essa gordura e não vão ter músculo para isso”.
Bianca Paraguassú.
O conceito de “banco de massa muscular” é central: quanto mais músculo se constrói ao longo da vida, maior a reserva metabólica e funcional para o futuro.
De acordo com o Ministério da Saúde, o quadro de sarcopenia compromete atividades simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas e levantar da cadeira. A prevenção e o tratamento passam, obrigatoriamente, pela combinação de exercícios físicos resistidos e nutrição adequada.
Assista a entrevista completa de Bianca no vídeo abaixo.
Sedentarismo além da academia
Ao ser questionada sobre a origem dessa geração com baixa massa muscular, a médica apontou um fator predominante: a redução do movimento no cotidiano.
“As pessoas não estão mais se movimentando. Ninguém mais caminha”.
Bianca Paraguassú.
Ela faz questão de diferenciar exercício programado de movimento diário:
“Não é só o exercício que você vai lá na academia. É você levantar, encher sua garrafinha de água. Isso já conta. Diminuir o tempo sentado conta. Conversar de pé no trabalho conta. Subir escada em vez de pegar o elevador conta”.
Bianca Paraguassú.
Segundo ela, o grande problema atual é o excesso de tempo sentado, especialmente entre crianças e adolescentes.
“Passam o dia inteiro sentados. Não brincam mais na rua, não sobem na árvore. A gente está tendo uma mudança no corpo do ser humano”.
Bianca Paraguassú.
Canetas emagrecedoras: efeito colateral ou mau uso?
Com a popularização dos medicamentos injetáveis para emagrecimento, surge a dúvida: a sarcopenia pode ser um efeito colateral dessas medicações?
A médica responde de forma direta: “Se você não conduzir direito essa perda, sim”.
Segundo ela, o risco não está necessariamente na medicação, mas na forma como o processo de emagrecimento é conduzido.
A perda de peso sem estímulo muscular adequado e sem ingestão correta de nutrientes pode resultar não apenas em redução de gordura, mas também em perda de massa magra.
A soma de sedentarismo, alimentação inadequada e emagrecimento mal conduzido pode criar uma geração com baixa reserva muscular e maior risco de fragilidade.
A mensagem central do alerta é clara: a sarcopenia não é apenas uma consequência natural da idade. É, cada vez mais, resultado do estilo de vida e pode se tornar um problema de saúde pública se não houver mudança estrutural nos hábitos da população.
No episódio do podcast, a médica endocrinologista também falou sobre o efeito “rebote” após o paciente parar de usar a medicação.
Assista abaixo.
O papel da alimentação
Segundo o Ministério da Saúde, a prevenção da sarcopenia exige uma alimentação equilibrada e energeticamente suficiente.
Carboidratos e gorduras são os nutrientes responsáveis por fornecer energia ao organismo. Na ausência deles, o corpo pode utilizar as proteínas musculares como fonte energética, favorecendo a perda de massa magra.
Além disso, nutrientes como Proteínas, Vitamina D, Cálcio e Ômega 3 desempenham papel fundamental na manutenção e no ganho de massa muscular.
Sem aporte adequado de energia e proteínas, qualquer processo de emagrecimento pode acelerar a degradação muscular.
Fonte: primeirapagina






