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Ryanair alerta: possíveis cancelamentos de voos durante o verão europeu

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2026

A Ryanair pode cancelar até 10% dos voos no verão europeu diante do risco de escassez de combustível. O alerta foi feito pelo CEO Michael O’Leary em entrevista à ITV News, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que pressiona o mercado de petróleo.

Segundo o executivo, há a possibilidade de que o fornecimento passe por interrupções até julho, caso o conflito continue afetando rotas estratégicas. Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial e que segue com operações comprometidas.

O’Leary afirmou que a duração da crise será determinante para o impacto no setor. “Acreditamos que há um risco razoável, ainda que em nível baixo, de que entre 10% e 25% do nosso abastecimento esteja em risco ao longo de maio e junho. Como todo o setor, esperamos que a guerra termine o quanto antes.”

“Se a guerra acabar até abril e o Estreito de Ormuz for reaberto, praticamente não há risco para o fornecimento”, acrescentou.

Risco de cortes na operação

A preocupação das companhias vai além do preço e envolve a disponibilidade de combustível nos aeroportos. Em um cenário de escassez, voos só podem operar onde houver abastecimento – o que torna a malha aérea menos previsível.

Sem margem para planejamento antecipado, cancelamentos e ajustes podem ser definidos em cima da hora, dificultando a reorganização das empresas e aumentando o impacto para passageiros.

A dependência de importações agrava o quadro. Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) indicam que entre 25% e 30% do combustível de aviação consumido na Europa tem origem no Golfo Pérsico. Com parte desse fornecimento comprometida, atrasos, mudanças de rota e menor oferta de voos podem se espalhar pela malha aérea.

Impactos no setor aéreo

Os efeitos da alta no custo do combustível e das dúvidas sobre o abastecimento já começam a aparecer. No Reino Unido, a companhia regional Skybus suspendeu operações após o aumento dos custos e a queda na demanda, evidenciando a dificuldade de empresas menores em sustentar rotas no contexto de guerra atual.

No caso da Ryanair, o alerta sobre possíveis cancelamentos se soma a uma série de ajustes recentes na malha aérea, com cortes de rotas e redução de capacidade em destinos como Espanha, Alemanha e Bélgica, ligados ao aumento de custos operacionais e taxas aeroportuárias. Com menos voos disponíveis, a tendência é de maior pressão sobre preços e menor margem para remarcações.

Para os passageiros, isso acrescenta mais uma camada de incerteza a um período que já costuma registrar atrasos e mudanças de última hora. Regras europeias preveem reacomodação ou reembolso em caso de cancelamento, mas, na prática, encontrar alternativas no mesmo dia pode ser difícil durante o verão, quando a maioria dos voos já opera próxima da lotação.

A evolução do conflito no Oriente Médio a situação no Estreito de Ormuz devem definir o nível de impacto sobre os voos no continente nas próximas semanas.

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Fonte: viagemeturismo

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