Durante a evaporação, a água se livra da maior parte dos poluentes nela dissolvidos. O problema é o caminho de volta: ao precipitar, as gotas de chuva esbarram em resíduos tóxicos e microorganismos suspensos na atmosfera que podem fazer mal à saúde.
Um exemplo recente: pesquisadores da Unicamp detectaram (1) 14 agrotóxicos em amostras de chuva das cidades de Campinas, São Paulo e Brotas. Dentre as substâncias, duas estão proibidas no Brasil.
O problema se estende para o resto do mundo. Uma análise da Universidade de Estocolmo (2) aponta que não há água de chuva potável em nenhum lugar do planeta devido à alta concentração de PFAS – classe de químicos largamente usada pela indústria e apelidada de “substâncias eternas”, já que não se degradam na natureza.
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Algumas PFAS já foram associadas a maiores chances de câncer, infertilidade, danos no sistema imunológico, entre outros problemas. Na pesquisa, que usou como base os parâmetros de água potável dos EUA, mesmo amostras de regiões como a Antártida e o Tibete tinham níveis de PFAS 14 vezes mais altos que o recomendado.
Não acaba aí: a queima de combustíveis fósseis em excesso contribui para o fenômeno da chuva ácida. Em contato com a água, o oxigênio e demais substâncias presentes na atmosfera, o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de nitrogênio (NOx) reagem e formam ácido sulfúrico e nítrico. Eles baixam o pH da água e a tornam nociva para o solo, as árvores, os animais – e nós mesmos.
Como se não bastasse, a água de chuva (que já não é potável) se torna ainda mais perigosa quando se acumula em poças – ela pode entrar em contato com urina de rato e se transformar em um vetor para a leptospirose, doença causada por uma bactéria que penetra na pele e em mucosas e pode matar até 40% dos casos mais graves.
É claro: dá pra guardar a água da chuva em cisternas e usá-la para limpar o quintal. Mas, se quiser bebê-la também, esteja disposto a seguir rígidos protocolos de purificação, que envolvem filtragem, fervura e tratamentos com cloro.
Pergunta enviada por @mirla.vmenezes, via Instagram
Fontes: (1) Pesticides in rainwater: A two-year occurrence study in an unexplored environmental compartment in regions with different land use in the State of São Paulo – Brazil; (2) Outside the Safe Operating Space of a New Planetary Boundary for Per- and Polyfluoroalkyl Substances (PFAS).
Fonte: abril





