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Rio Grande do Sul inaugura o maior parque nacional marinho do Brasil

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2026

No extremo sul do Brasil, quase na divisa com o Uruguai, uma nova área de conservação começa a redesenhar o mapa do turismo de natureza no país. O Parque Nacional Marinho do Albardão acabou de nascer – e nasceu gigante, literalmente: é o maior parque marinho do país.

Localizado em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, o parque é exclusivamente marinho e se estende por cerca de 100 km a partir da costa. À primeira vista, a paisagem da região é simples, com mar aberto e uma longa faixa de areia. Mas ali está uma das áreas mais estratégicas para a biodiversidade do Atlântico Sul. A região funciona como berçário de diversas espécies de peixes e abriga a toninha, o mamífero marinho mais ameaçado de extinção do Atlântico Sul Ocidental.

A relevância ecológica não é recente. Há mais de três décadas, pesquisadores acompanham o comportamento de espécies que usam o Albardão para alimentação, reprodução e crescimento.

Como funciona a nova área de conservação

A criação do parque veio acompanhada de um sistema mais amplo de proteção. Além dos cerca de 1 milhão de hectares do Parque Nacional Marinho do Albardão, foi instituída a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, com pouco mais de 55 mil hectares. Juntas, as áreas equivalem a quase sete vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Considerando o conjunto com a zona de amortecimento, a área protegida chega a cerca de 1,6 milhão de hectares.

mapa parque nacional marinho do albardao

Além da toninha, a região abriga tartarugas, tubarões, raias, aves migratórias e mamíferos como lobos-marinhos, além de servir como rota para baleias e outras espécies em longas migrações pelo Atlântico.

No parque nacional, de proteção integral, não são permitidas atividades de extração de recursos naturais, como a pesca. Já na Área de Proteção Ambiental do Albardão, classificada como unidade de uso sustentável, atividades econômicas seguem autorizadas, desde que cumpram critérios ambientais.

A proposta é proteger as áreas mais sensíveis sem interromper completamente as dinâmicas locais. A pesca artesanal, por exemplo, continua permitida na APA e na zona de amortecimento, enquanto o parque atua como um berçário natural, favorecendo a recuperação de espécies que depois se dispersam para áreas vizinhas.

A gestão das duas unidades ficará a cargo do ICMBio, responsável também pela elaboração do plano de manejo, que vai definir, de forma participativa, as regras de uso, visitação e funcionamento da área.

Turismo ainda em fase inicial

Mesmo sendo uma área de proteção, o turismo está previsto como uma das atividades no parque nacional. A proposta é desenvolver o ecoturismo e o turismo de aventura de forma controlada, aproveitando características já conhecidas da região.

O parque e a APA ficam no extremo sul da vertente costeira da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso. Por lá, o trecho Cassino-Barra do Chuí integra a Trilha Oiapoque-Barra do Chuí e já é conhecido entre praticantes de trekking, cicloturismo e outras atividades de aventura – práticas que devem ser mantidas.

A observação de fauna também é um dos atrativos. Em diferentes épocas do ano, é possível avistar pinguins, focas, leões-marinhos e aves migratórias na faixa de areia, além de baleias e outros cetáceos no mar.

Além do Albardão, Santa Vitória do Palmar reúne praias como Hermenegildo e Chuí. A região também abre espaço para o turismo rural, com visitas a fazendas locais. Para aqueles que planejam visitar a região com tempo de sobra, a proximidade com o Uruguai – a cerca de 350 km de Montevidéuabre a possibilidade de esticar o roteiro internacionalmente.

Como chegar e planejar a viagem

Visitar o Albardão exige planejamento e um certo gosto por destinos menos óbvios. O ponto de partida é Santa Vitória do Palmar, cidade-base para quem pretende explorar a área.

O aeroporto mais próximo da cidade é o Aeroporto Internacional de Pelotas, a cerca de 250 km. Outra opção é o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, a aproximadamente 500 km. A partir desses pontos, o trajeto segue de carro ou ônibus até o município.

Da rodoviária de Pelotas, a empresa Expresso Embaixador faz o percurso em cerca de 3h40. Já a Mercosul Turismo opera um serviço de transfer com saída em ponto combinado em Porto Alegre, com duração média de 6 a 7 horas.

Em geral, a viagem pode levar de três a oito horas, dependendo da origem e das conexões. Por isso, é recomendável organizar deslocamentos com antecedência e considerar a contratação de serviços para explorar a região com mais segurança. Outro ponto importante é acompanhar as regras de visitação: como o plano de manejo ainda será definido, normas podem mudar nos próximos anos.

Entre preservação e debate

A criação do parque atende a uma demanda antiga de pesquisadores e organizações ambientais, que há décadas defendiam a proteção desse trecho do litoral. Ao mesmo tempo, a medida gerou debates na região, especialmente em setores ligados à pesca e à economia local.

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A pesca é uma das principais atividades econômicas locais, e há preocupação com os impactos das restrições impostas dentro do parque. Representantes do setor apontam possíveis perdas de renda e questionam se a medida foi construída com participação suficiente da comunidade.

Autoridades locais também levantam dúvidas sobre como as regras serão aplicadas na prática, já que o plano de manejo – documento que define o funcionamento detalhado da área – ainda será elaborado.

Do outro lado, cientistas defendem que a proteção é urgente. A região já vinha sendo pressionada por atividades intensivas, e a criação do parque é vista como uma forma de evitar o colapso de espécies e garantir a recuperação dos estoques pesqueiros ao longo prazo.

Com a criação do novo parque, o Brasil passa a ter quatro parques marinhos, juntando-se a nomes já conhecidos como o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e o Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais.

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Fonte: viagemeturismo

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