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Reunião da OEA destaca divisão política em relação à Venezuela na América: entenda os desafios

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Os países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) demonstraram forte divisão política durante reunião extraordinária realizada nesta terça-feira (6), convocada para discutir a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. O encontro deixou evidente a polarização ideológica no continente.

Não houve negociações formais, divulgação de documentos ou deliberações oficiais. As delegações limitaram-se a apresentar posicionamentos individuais sobre os acontecimentos.

Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, alinhados ao governo norte-americano, manifestaram apoio à intervenção militar em Caracas. Para esses países, a ofensiva foi apresentada como uma resposta a ameaças relacionadas ao narcoterrorismo e à instabilidade regional.

Em sentido oposto, Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras criticaram a ação dos Estados Unidos. As delegações defenderam o respeito à soberania nacional e ressaltaram que a crise venezuelana deve ser enfrentada por meio do diálogo diplomático e de mecanismos multilaterais.

Representantes desses países classificaram os bombardeios e o sequestro do chefe de Estado como violações graves do direito internacional, alertando para os riscos de precedentes perigosos à estabilidade global.

Venezuela sem direito à palavra

Apesar de integrar formalmente a OEA, a Venezuela não teve direito a pronunciamento oficial durante a reunião. O país vive um impasse institucional dentro da organização, resultado de conflitos acumulados ao longo da última década.

Em 2017, o governo de Nicolás Maduro anunciou a saída da OEA, após acusações de ruptura democrática. Posteriormente, a organização deixou de reconhecer o mandato presidencial iniciado após as eleições de 2018 e passou a aceitar um representante indicado pela oposição. Com o enfraquecimento desse grupo político, a OEA não reconheceu novos representantes venezuelanos.

O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, evitou comentar diretamente a ação militar dos Estados Unidos. Em sua fala, destacou a importância do multilateralismo, do respeito ao direito internacional e dos princípios de soberania e não intervenção.

Ramdin também afirmou que uma transição democrática na Venezuela seria benéfica tanto para o país quanto para o hemisfério, defendendo o fortalecimento institucional e o apoio a processos eleitorais.

Disputa geopolítica

A reunião também expôs a rivalidade entre Estados Unidos e China na disputa por influência regional. O representante norte-americano afirmou que potências adversárias buscam controlar recursos estratégicos venezuelanos, especialmente o petróleo.

A delegação chinesa reagiu, classificando as acusações como infundadas. Segundo a representante, o uso da força contra um Estado soberano viola o direito internacional e ameaça a paz regional. Ela afirmou ainda que a cooperação entre China e Venezuela ocorre de forma legal e entre países soberanos.

Fonte: cenariomt

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