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Registro da tradição oral dos povos Manoki e Myky em Mato Grosso: Projeto de preservação cultural na região.

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Após décadas de dificuldades e o quase desaparecimento de suas populações, os povos Manoki e Myky, em Mato Grosso, erguem suas vozes para contar as próprias histórias. Suas narrativas, que carregam a memória de uma longa jornada de sobrevivência, são agora o centro do projeto “Contação de Histórias Indígenas: Vozes da Terra”, uma celebração da resistência e da força de suas culturas. O projeto, realizado pelo Instituto 3W, com fomento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e apoio do Governo Federal, Ministério da Cultura e do Governo de Mato Grosso, através da Secel-MT, é mais que um registro, é um ato de cura e de retomada.

 

 

A equipe técnica e de assistência de produção será realizada pelo coletivo de cinema dos próprios povos Manoki e Myky, a iniciativa nasce para que a terra, enfim, possa falar através dos povos originários.

 

Por meio da escuta sensível e do registro audiovisual, o “Vozes da Terra” construirá pontes entre anciãos e jovens, garantindo que os saberes que resistiram ao tempo não se percam. “É resistir, ensinar e celebrar a cultura indígena”, afirmam os organizadores. Ao longo dos próximos meses, encontros e formações transformarão a memória em um legado vivo e acessível para o futuro.

 

A condução criativa une a sensibilidade de quem vive a história ao conhecimento técnico de profissionais aliados. O cineasta Marcus Teles, mestre em Cinema e Fotografia, coordenará os trabalhos, somando sua pesquisa sobre o realismo fantástico latino-americano à visão do coletivo indígena. A ele se junta a escritora e roteirista Gleycielli Nonato Guató, do povo Guató, cuja arte é dedicada a afirmar a ancestralidade e a força feminina indígena. Sua linguagem, marcada por um “realismo poético”, busca traduzir em imagens a espiritualidade e a identidade de seu povo.

 

O projeto se torna, assim, um marco na preservação do patrimônio imaterial do Brasil, não apenas pelo que registra, mas por quem o faz. É a prova de que, mesmo após tantas tentativas de silenciamento, a memória ancestral continua a florescer. Como um convite e uma promessa, o projeto nos lembra: “A terra fala. E nós escutamos.” 

Fonte: gazetadigital

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