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Recursos Aumentam Projetos de Prevenção à Violência contra Mulheres

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Projetos voltados à prevenção da violência contra mulheres em comunidades vulneráveis receberam reconhecimento e recursos financeiros por meio do programa Antes que Aconteça. As iniciativas contemplam mulheres indígenas, quilombolas, pescadoras e marisqueiras, com ações de conscientização, acolhimento e orientação sobre direitos.

O reconhecimento ocorreu na noite de quarta-feira (4), em Brasília (DF). A premiação integra uma política prevista na Lei 15.398, publicada em 2026, que busca valorizar iniciativas de diferentes regiões do país dedicadas à prevenção da violência de gênero.

Projetos recebem financiamento

As práticas selecionadas foram distribuídas em oito categorias. Os projetos premiados receberam financiamentos entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. A cerimônia contou com a participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Entre as iniciativas reconhecidas está o projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro, coordenado por Cleocimara Reis Gomes, de 38 anos. Moradora da comunidade de Cartucho, no Amazonas, ela recebeu uma menção honrosa pelo trabalho de conscientização sobre os diferentes tipos de violência contra mulheres indígenas.

A comunidade onde Cleocimara vive reúne 40 famílias e fica a aproximadamente quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira. O projeto atua junto a 23 povos indígenas em 100 comunidades, distribuídas pelos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro.

Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora afirmou que a violência contra mulheres indígenas apresenta índices preocupantes, mas muitas ocorrências permanecem invisíveis devido ao isolamento geográfico das comunidades.

A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e fortalecer parcerias para que as mulheres conheçam seus direitos. Um dos objetivos é demonstrar que a violência não deve ser aceita como parte da cultura indígena.

Cleocimara explicou que os casos envolvem violência física, sexual, psicológica e patrimonial. As agressões podem ser praticadas por invasores dos territórios e também por homens indígenas. Segundo ela, as denúncias enfrentam dificuldades para chegar às autoridades devido às grandes distâncias entre as comunidades.

A coordenadora também relatou que recebeu solicitações de lideranças indígenas para ampliar o envolvimento de homens aliados na luta contra a violência. Para ela, a prevenção depende ainda da presença de mais equipamentos e serviços públicos nas regiões atendidas.

Projeto acolhe pescadoras e marisqueiras

Outra iniciativa reconhecida foi desenvolvida pela Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix, na Bahia. O projeto venceu na categoria Justiça que acolhe mulheres e oferece atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.

A presidente da associação, Cátia Chagas, de 58 anos, é marisqueira e também se formou em direito e psicologia para contribuir com a comunidade. O trabalho oferece atendimentos psicológicos e médicos, além de capacitação e orientação para mulheres que enfrentam situações de violência.

Criado em 2012, o projeto atende aproximadamente 600 mulheres. Segundo Cátia, grande parte das participantes são mães solo ou mulheres jovens que têm vários filhos. Na região, muitas trabalham com a pesca, principalmente no Rio Paraguaçu.

A dirigente explicou que a vulnerabilidade social e o constrangimento dificultam os relatos de violência. Por isso, a associação procura oferecer diferentes formas de acolhimento e atendimento.

Iniciativa atende mulheres quilombolas

O projeto Dandara, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, também foi reconhecido. A iniciativa atende cerca de 500 mulheres quilombolas por meio de cursos realizados nos próprios territórios e atividades de escuta e acolhimento.

A presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, Ana Beatriz Bernardes Nunes, moradora da comunidade Maria Conga, em Magé, destacou que as mulheres enfrentam ameaças relacionadas à proteção de seus territórios.

Segundo a liderança, muitas quilombolas são responsáveis pela administração das comunidades e pela preservação da biodiversidade local. Essa atuação, conforme relatou, aumenta a exposição dessas mulheres a situações de ameaça. Ana Beatriz também informou que recebe atendimento de um programa estadual de proteção.

As experiências reconhecidas pelo programa Antes que Aconteça mostram diferentes formas de enfrentamento à violência de gênero. As iniciativas combinam informação, atendimento especializado e fortalecimento das comunidades para ampliar a proteção de mulheres em regiões que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços públicos.

Com informações da Agência Brasil.

Fonte: cenariomt

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