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Recuperação de ICMS no agronegócio: destaque antes da mudança tributária

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A aproximação da mudança no sistema tributário brasileiro colocou o ICMS no centro das decisões financeiras do agronegócio. Com a futura adoção do IBS e da CBS, produtores rurais e empresas do setor passaram a olhar com mais atenção para créditos acumulados e falhas fiscais que podem comprometer o caixa justamente no período de adaptação ao novo modelo.

Levantamentos recentes do setor contábil indicam que uma parcela significativa das empresas já identificou erros na emissão de documentos fiscais, enquanto outra parte sequer consegue afirmar se suas operações estão totalmente corretas. Esse cenário aumenta o risco de perda de créditos tributários e pressiona o fluxo financeiro em um momento de transição sensível.

Com o avanço da fiscalização eletrônica e da integração dos sistemas fiscais, inconsistências que antes demoravam a ser detectadas passaram a ser identificadas quase de forma imediata. Falhas na classificação de produtos, na apuração do imposto ou no preenchimento de notas fiscais podem resultar em bloqueio automático de créditos, dificultando o aproveitamento dos valores devidos.

Diante desse contexto, a recuperação de créditos de ICMS vem sendo apontada como uma das estratégias mais eficazes para reforçar o caixa antes da consolidação do novo regime tributário. Embora o imposto estadual continue vigente durante o período de transição, créditos não revisados tendem a carregar distorções que podem gerar questionamentos futuros e entraves operacionais.

Especialistas em gestão fiscal avaliam que a reforma não elimina problemas do passado. Pelo contrário, inconsistências não corrigidas agora podem se transformar em passivos ou em obstáculos na migração para o novo sistema. A revisão do ICMS, portanto, deixa de ser apenas uma ação corretiva e passa a integrar o planejamento estratégico das empresas do agro.

O movimento observado em alguns estados, com liberações expressivas de créditos acumulados ao longo dos últimos anos, reforça o papel do ICMS como uma fonte relevante de liquidez, especialmente para produtores rurais e empresas exportadoras. Em um cenário de margens pressionadas e custos elevados, transformar crédito tributário em capital de giro tornou-se uma alternativa importante para manter a previsibilidade financeira.

Além do impacto direto no caixa, a revisão fiscal contribui para melhorar a governança tributária das empresas. A organização dos dados, a correção de inconsistências e o alinhamento das informações reduzem o risco de autuações e evitam que problemas sejam carregados para o novo sistema, que nascerá com maior integração e cruzamento de dados.

Para o setor, a mensagem é clara: realizar um diagnóstico fiscal agora vai além de uma exigência contábil. Trata-se de uma decisão estratégica de negócio, capaz de transformar a transição tributária em oportunidade. Créditos já existentes, quando corretamente identificados e recuperados, podem fazer a diferença justamente em um período de maior pressão sobre custos, margens e competitividade.

Fonte: cenariomt

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