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Rabat, Marrocos: Principais Atrações da Capital Mundial do Livro 2026

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2026

Brasileiros que amam a literatura tiveram o último ano para curtir uma série de eventos da área no Rio de Janeiro, quando a cidade foi celebrada como a Capital Mundial do Livro de 2025, definido pela Unesco. Mas, desde o final de abril, essa honraria mudou de mãos: para os próximos 12 meses, o título será ostentado por Rabat, no Marrocos.

Apesar de também ser a capital do próprio país, Rabat muitas vezes acaba excluída de roteiros marroquinos, que priorizam destinos como Marrakesh, Casablanca ou Tânger. Agora, a escolha da Unesco promete colocar no radar um lugar com quase um milênio de história e atrações de sobra não só para quem aprecia a leitura.

Rabat como Capital Mundial do Livro

A capital do Marrocos detém o titulo desde 23 de abril, data escolhida por coincidir com o Dia Mundial do Livro. A Unesco vem elegendo destinos ao redor do planeta para valorizar sua relação com a literatura desde 2001 e, no continente africano, Rabat é a quinta cidade destacada pela entidade. Antes dela, na África, já foram Capitais Mundiais do Livro: Alexandria, no Egito (2002); Port Harcourt, na Nigéria (2014); Conakry, na Guiné (2017) e Accra, em Gana (2023).

O continuado interesse de Rabat em promover a leitura foi chave para a escolha. Ainda que não seja tão procurada por turistas, a condição de capital nacional garante ao destino a presença de uma série de instituições e eventos que fomentam a cultura literária: a cidade é casa para 54 editoras e sedia a terceira maior feira do livro da África.

Além disso, a intrincada história do Marrocos, que vem desde antigos povoamentos fenícios e romanos até relações bem mais recentes com potências coloniais como Espanha e França, garantiu a Rabat um contexto de efervescência e intercâmbio cultural que ainda pode ser visto em lugares como a Biblioteca Nacional do Reino do Marrocos, o Instituto Francês de Rabat e os Arquivos Nacionais do Marrocos, que recebem regularmente eventos com escritores e de acesso à literatura.

A cidade também é conhecida por sua diversidade de livrarias. No roteiro turístico, tornou-se famoso nas redes sociais o sebo de Mohamed Aziz, considerado o mais antigo da cidade ainda em funcionamento: após começar vendendo livros na rua, espalhando-os sobre um tapete, Aziz conseguiu abrir a própria loja em 1967, aos 19 anos – incentivando a leitura numa época em que o Marrocos tinha uma taxa de analfabetismo na casa de 80%. Seis décadas mais tarde, a Bouquiniste El Azizi é famosa por seus livros empilhados até o teto e uma parada imperdível para quem deseja conhecer de perto um dos motivos que levaram à eleição da nova Capital Mundial do Livro.

O que fazer em Rabat além das experiências literárias

Com uma história que remonta ao século 12, Rabat tem muito o que oferecer para quem deseja mergulhar de cabeça na arquitetura e cultura do Marrocos – com a vantagem, ao menos por enquanto, de oferecer uma rotina mais tranquila do que destinos mais buliçosos e já bem conhecidos dos turistas. Dados oficiais apontam que, enquanto Marrakesh incrementou em 40% o número de visitantes só no último ano, em Rabat esse índice ficou em modestos 3%.

De frente para o mar, a cidade concentra fortalezas, ruínas e palácios de outros tempos ou ainda ativos. Como um todo, a cidade inteira é considerada um Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Vale a pena passar por lugares como a Kasbah dos Oudaias, uma antiga fortaleza famosa pelas vistas do oceano, por seus jardins em estilo andaluz e por conservar em seu interior a mesquita mais antiga da cidade, construída originalmente por volta do ano 1150 (ainda que boa parte da estrutura em pé seja do século 17).

torre-hassan

Outro ponto procurado da cidade é a área onde se localiza a Torre Hassan: um minarete inacabado que começou a ser construído no final do século 12, ele surgiu com a ambição de se tornar a maior estrutura do gênero no mundo, mas as obras foram encerradas em 1199 com a morte do califa que encomendou a mesquita. A construção atingiu 44 metros de altura. Hoje, essa área foi ressignificada por abrigar também o mausoléu de Mohammed V, que governou o Marrocos como sultão e rei em diferentes momentos entre a década de 1920 e sua morte, em 1961.

Rabat também guarda resquícios de um dos pontos mais tardios de ocupação romana no norte da África: são as ruínas de Sala Colonia, hoje conhecidas como Chellah, governadas pelo antigo império entre o ano 40 d.C. e o século 4. Quase mil anos mais tarde, o local foi convertido em um cemitério, e hoje resquícios dos dois períodos podem ser encontrados nas escavações, dependendo de quão profundamente os arqueólogos estão dispostos a ir.

Em meio aos registros de tantas civilizações da Antiguidade, Rabat também oferece um vislumbre da opulência da monarquia atual: é na cidade que fica o Palácio Real, ou Dar al-Makhzen, residência oficial do atual rei, Mohammed VI. No Marrocos, embora exista um Parlamento, a monarquia ainda detém poderes executivos suficientes para ditar boa parte dos rumos do país, diferentemente do que ocorre na Europa – não é de surpreender que o interior do palácio seja vedado a visitantes, e turistas só podem vê-lo por fora.

Fonte: viagemeturismo

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