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Protesto na Cinelândia: Maduro mobiliza contra ação dos Estados Unidos

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A Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, voltou a ser palco de mobilização política nesta segunda-feira, ao reunir centenas de manifestantes contrários ao sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. O protesto ocorreu dois dias após a ofensiva militar dos Estados Unidos contra Caracas.

O ato foi organizado pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, que reúne cerca de 50 entidades. Segundo os organizadores, a mobilização buscou denunciar a ação norte-americana e defender a soberania do país sul-americano.

A captura de Maduro foi anunciada no sábado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o governo norte-americano, o líder venezuelano foi levado à força para uma prisão em Nova York, onde responde a acusações relacionadas a narcoterrorismo, tráfico de drogas e conspiração para obtenção de armamento. Em audiência realizada na segunda-feira, Maduro se declarou inocente e afirmou ser um prisioneiro de guerra.

Relatos de venezuelanos

Entre os presentes estavam venezuelanos que vivem no Brasil. O estudante de mestrado Ali Alvarez, residente no país há oito anos, afirmou que a ação militar causou indignação. Para ele, a ofensiva representa uma violação direta à Constituição venezuelana e aos direitos do povo.

O músico Alexis Graterol, que mora no Brasil há duas décadas, também participou da manifestação e contestou as acusações feitas contra o presidente. Segundo ele, o interesse central dos Estados Unidos estaria nos recursos naturais da Venezuela, especialmente no setor petrolífero.

Nem todos os venezuelanos presentes tinham a mesma posição. O psicólogo Marco Mendoza, que vive no Chile, disse concordar com a intervenção, alegando que o país já vinha sofrendo influência de outras potências internacionais e grupos estrangeiros.

Debate sobre soberania

O protesto também reuniu cidadãos de outros países da América Latina. O cineasta colombiano Raúl Vidales demonstrou preocupação com a possibilidade de expansão de ações militares dos Estados Unidos na região e defendeu uma reação coletiva em defesa da soberania dos países latino-americanos.

Representantes políticos brasileiros também se manifestaram. Para o presidente estadual do PCdoB, Daniel Iliescu, a situação exige uma resposta da sociedade civil, de governos democráticos e de organismos internacionais, diante do enfraquecimento do multilateralismo e do avanço de ações unilaterais no cenário global.

Imigração venezuelana

Dados do IBGE indicam que os venezuelanos formam atualmente o maior grupo de imigrantes no Brasil, com cerca de 200 mil pessoas. Desde 2018, mais de 115 mil receberam apoio do Estado brasileiro para regularização e interiorização, incluindo milhares que se estabeleceram no Rio de Janeiro.

Fonte: cenariomt

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