O apresentou, nesta quinta-feira, 22, uma nova versão do projeto de lei que propõe anistia aos presos pelos atos do 8 de janeiro. O texto anterior foi considerado “amplo demais” e com brechas que poderiam beneficiar o ex-presidente .
O novo texto perdoa todos os crimes contra o Estado Democrático de Direito de quem participou diretamente das manifestações, mas mantém a possibilidade de responsabilização civil pelos danos causados ao patrimônio público. A proposta já foi entregue ao presidente da , Hugo Motta (Republicanos-PB).
As negociações pela mudança do texto estĂŁo em desdobramento desde abril, quando a oposição pressionou Motta para colocar o projeto em pauta. Na Ă©poca, o lĂder do PL na Câmara, SĂłstenes Cavalcante (RJ), já admitia possĂveis alterações e chegou a cogitar uma greve de fome por parte de parlamentares para forçar a votação em plenário.

O antigo texto da anistia permitia o benefĂcio retroativo e posterior, já que favoreceria aqueles que “participaram de eventos subsequentes ou eventos anteriores” Ă s manifestações do 8 de janeiro, “desde que mantenham correlação com os eventos acima citados”. O trecho foi considerado uma brecha que poderia beneficiar Bolsonaro.
No final de abril, a base do governo sinalizou abertura para discutir um texto mais moderado. O lĂder do governo na Câmara, JosĂ© GuimarĂŁes (PT-CE), afirmou que injustiças na dosimetria das penas poderiam ser revistas, mas deixou claro que os supostos responsáveis pela articulação dos atos nĂŁo seriam anistiados.Â
“Eventuais injustiças na dosimetria das penas precisam ser consideradas por nĂłs, nĂŁo Ă© possĂvel anistiar generais, quem planejou, quem organizou, quem manipulou com a tentativa de golpe”, disse o deputado petista. “NĂŁo tem anistia para quem comete crime contra a democracia.”

Na justificativa da nova proposta, o PL afirma ser contra revanchismos. “Somos favoráveis — partidos polĂticos e parlamentares de direita — ao rigor da norma penal e do sistema penitenciário”, diz o texto. “PorĂ©m, nĂŁo coadunamos com revanchismo e tampouco com injustiças.”
O projeto tambĂ©m destaca que “a concessĂŁo da anistia Ă© competĂŞncia atribuĂda pela Constituição da RepĂşblica ao Poder Legislativo” e que a discussĂŁo e a aprovação “devem se ater somente ao âmbito do Congresso Nacional, sem qualquer interferĂŞncia de outro Poder da RepĂşblica”.
O projeto anterior havia sido retirado da ComissĂŁo de Constituição e Justiça da Câmara em outubro de 2023 pelo entĂŁo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), o que paralisou sua tramitação.Â
Fonte: revistaoeste




