– A Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat) ingressou com uma ação civil pública contra o advogado e ex-deputado estadual Ulysses Moraes após um episódio registrado no câmpus Jane Vanini, em Cáceres (220 km de Cuiabá).
A entidade acusa o ex-parlamentar de invadir a universidade, arrancar materiais expostos nas dependências da instituição e divulgar informações falsas nas redes sociais.
Segundo a ação, os fatos ocorreram no fim de abril deste ano, quando Ulysses entrou no câmpus gravando vídeos para publicação na internet. Conforme a associação, o conteúdo foi divulgado no perfil oficial do advogado no Instagram, plataforma em que ele reúne cerca de 870 mil seguidores.
Na gravação, Moraes questiona a instalação de painéis solares na universidade e associa o investimento a um suposto financiamento vindo de Cuba, afirmação contestada pela Adunemat, que sustenta não existir qualquer relação entre a obra e o regime cubano.
Ainda conforme a entidade, o ex-deputado também fez ataques ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), classificado por ele como “movimento terrorista”, além de relacionar cartazes afixados dentro da universidade a organizações comunistas.
A ação relata ainda que, durante a gravação, Ulysses retirou cartazes das paredes e os jogou no lixo. Em um dos trechos apontados no processo, ele afirma que o material deveria voltar “para o lugar de onde nunca deveria ter saído”.
Para a associação dos docentes, a conduta extrapolou os limites da liberdade de expressão e atingiu diretamente a imagem da universidade e dos profissionais ligados à instituição. A entidade pede condenação de R$ 135 mil, sendo R$ 100 mil por danos morais coletivos e outros R$ 30 mil por danos institucionais.
O processo inclui ainda a Meta Plataformas Brasil Ltda., responsável pelo Instagram, para garantir a retirada definitiva do vídeo das redes sociais.
Os advogados da Adunemat também pediram medida urgente para impedir que Moraes retorne ao câmpus e volte a publicar conteúdos considerados ofensivos contra a comunidade acadêmica. O pedido foi fundamentado em uma fala feita pelo próprio ex-deputado durante a gravação.
“Se colocarem de novo, eu vou tirar”, disse Ulysses em um trecho destacado na ação judicial.
Fonte: odocumento




