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Professora de 66 anos rompe estereótipos e brilha nos palcos de Cuiabá com grupo 60+

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2026

Aos 66 anos, depois de ficar viúva, a professora aposentada Sílvia Neli Fraga, que mora em Cuiabá, percebeu que precisava escolher o que faria com o novo capítulo da própria vida. Após 35 anos dedicados ao magistério, ela não queria que a idade ou a viuvez determinassem sua rotina, muito menos se encaixar na ideia de ser uma “vovó só cuidando dos netos”.

Foi no teatro que Sílvia encontrou espaço para se reinventar. Hoje, ela sobe ao palco, interpreta personagens, recebe os aplausos da família e se emociona ao ver as netas na plateia. “Não é o número que vai me definir”, resume.

Para ela, o teatro trouxe também a liberdade de ser quem é sem precisar provar nada a ninguém. Depois da perda do marido, Sílvia conta que poderia ter escolhido se recolher, mas decidiu continuar. “São duas opções: deita e lamenta ou levanta e segue adiante. Eu optei por isso”, conta.

Uma personagem que também escolhe a própria vida

No palco, Sílvia interpreta Jasmini, personagem na qual reconhece parte da própria trajetória. Ela descreve Jasmini como uma mulher que tem voz, é corajosa e não permite que outras pessoas decidam por ela.

A identificação ultrapassa o roteiro. Sílvia conta que encontrou no teatro um lugar onde pode criar, experimentar e se reinventar em uma fase da vida que muitas vezes ainda é cercada por estereótipos.

A experiência ganhou um significado ainda mais especial com o apoio da família. As netas acompanham as apresentações da avó e estão entre as pessoas que a veem ocupar o palco.

13 mulheres e novas histórias depois dos 60

Sílvia faz parte de um grupo formado por 13 mulheres com mais de 60 anos que encontraram no teatro uma forma de expressão, convivência e protagonismo.

A história do grupo começou em 2022, durante um curso de teatro. A experiência continuou e ganhou novos contornos, reunindo mulheres que levam para as apresentações não apenas personagens, mas também experiências da própria vida.

Entre elas está Miriam Ross Milani, de 70 anos, professora aposentada do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), que descobriu no teatro um talento que estava adormecido.

Outras integrantes dão vida a mulheres que fazem parte da história de Mato Grosso. Vera Lúcia de Siqueira, socióloga e professora de 70 anos, interpreta Maria Taquara, lavadeira negra que ficou conhecida em Cuiabá por romper padrões de sua época, inclusive ao usar calças compridas.

“Me apaixonei pela minha personagem, pela resistência e coragem dela. Veio com cinco anos da África para o Nordeste e depois veio para Mato Grosso, Cuiabá, com a família aos 12 anos, e aos 17 anos ela começou a ser lavadeira”, declarou.

Já a professora aposentada Lisete Saldanha de Oliveira, também de 70 anos, interpreta Tereza de Benguela, liderança quilombola do século 18 que se tornou símbolo da resistência negra à escravidão. Para Lisete, a personagem também estabelece uma conexão com a própria ancestralidade.

Cabelo branco, sapato confortável e liberdade

As vivências das atrizes também chegam ao roteiro com humor. Em uma das cenas, elas brincam com a pressão para esconder os cabelos brancos e questionam padrões relacionados ao envelhecimento feminino.

“Meu maior conto de fadas hoje é ter um sapato que não machuque os pés”, diz uma das falas da peça, arrancando aplausos da plateia.

Por trás do humor, o grupo aborda autonomia, preconceito e etarismo, mostrando mulheres que continuam fazendo planos, descobrindo habilidades e ocupando novos espaços depois dos 60 anos.

Para algumas, estar no palco também ajudou a enfrentar momentos difíceis. A dona de casa Lúcia Rangel conta que encontrou no teatro companhia e interação após a morte da mãe. Segundo ela, a atividade ajuda a evitar o isolamento e a enfrentar períodos de tristeza.

Para Sílvia, o palco representa justamente o contrário da ideia de que determinada idade estabelece onde uma mulher deve estar ou o que ainda pode fazer.

Aos 66 anos, diante das netas que agora a assistem da plateia, ela encontrou a própria resposta: seguir adiante, inventar e se reinventar.

Fonte: primeirapagina

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