A professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, vítima de feminicídio na última segunda-feira (16), em Cuiabá, possuía medida protetiva e utilizava aplicativo com botão do pânico contra o ex-marido, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, apontado como autor do crime. De acordo com uma das filhas, a vítima acionou o dispositivo duas vezes no fim do ano passado, após o homem rondar a residência e desligar o padrão de energia. No entanto, ele não chegou a ser preso, já que não houve constatação de flagrante.
Luciene foi casada com Paulo durante 31 anos e se divorciou em agosto de 2025. Após ser ameaçada, ela denunciou e recebeu uma medida protetiva e botão do pânico para ser acionada caso ele retornasse até a casa com mais ameaças.
De acordo com Etieny Naves, filha do casal, antes de ser assassinada, a professora já havia acionado o botão do pânico duas vezes, no fim de 2025. Na primeira das ocasiões, o suspeito ligou diversas vezes para a vítima e rondava a casa da professora. Na segunda vez, ele desligou o padrão de energia da residência e colocou um cadeado, para impedir que a mulher conseguisse ligar novamente.
Mesmo ao acionar o botão do pânico, equipes policiais estiveram na casa, mas ele nunca chegou a ser preso.
“Os policiais vieram, mas falaram que só podiam prender ele em flagrante. Caso ele saísse do local, não podiam fazer mais nada, tínhamos que esperar audiência”, relatou ela.
Etieny não morava com os pais desde os 15 anos, quando foi embora após não suportar mais as ameaças por parte do homem. De acordo com ela, a convivência sempre foi difícil, ele era agressivo com as palavras.
A casa onde a Luciene vivia e foi assassinada era a mesma onde viveu com o suspeito. Após os meses de separação, ela colocou o imóvel à venda. A filha relatou que o homem pedia um valor com sua parte do local, mas que, na realidade, o dinheiro não era o que ele queria.
“Ela colocou a casa à venda para dar a parte dele, que era o que ele falava que queria. Meu tio negociou com minha mãe e ele não aceitou o pagamento do meu tio para ela sair. O que ele queria, na verdade, era ela” afirmou Etyene.
A reportagem procurou um posicionamento junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública, mas não obteve resposta.
O caso
Por volta das 6h30 desta segunda-feira (16), Paulo Neves invadiu a casa da ex-esposa, Lucieni Naves, atirou contra ela e fugiu. O crime ocorreu no bairro Osmar Cabral, na capital mato-grossense.
A polícia foi acionada, mas ao chegar no local a vítima não apresentava sinais vitais. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte da mulher.
Após atirar contra a ex-esposa, ele correu em direção à casa de uma das filhas, onde, informações apontam que ele iria cometer outro crime. No caminho, ele foi localizado por um policial militar.
Paulo estava em posse de uma arma de fogo e foi atingido por um disparo do agente. Ele morreu no local e também teve a morte confirmada pelo Samu.
Junto a ele, estava o revólver calibre 38 e munições, que foram apreendidos.
O crime foi o primeiro feminicídio do ano em Cuiabá. A Prefeitura lamentou a morte da mulher, que era servidora municipal desde 2009.
Fonte: leiagora






