A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decidiu estender até 30 de junho a flexibilização que permite a produtores e distribuidores operarem sem a obrigatoriedade de manter estoques mínimos de gasolina e óleo diesel. A medida, inicialmente válida até o fim de abril, busca garantir o abastecimento e conter a alta nos preços dos combustíveis.
Adotada em março, a decisão tem como objetivo ampliar a oferta imediata ao mercado consumidor. Com menos exigências de armazenamento, empresas podem direcionar mais volume diretamente à distribuição, reduzindo a pressão sobre os preços.
Segundo a ANP, a estratégia pretende aumentar a fluidez do fornecimento. “A flexibilização visa aproximar os estoques da ponta de consumo e ampliar a fluidez de suprimento ao mercado”, informou a agência.
A obrigatoriedade de estoques mínimos está prevista na Resolução 949/2023, que determina níveis semanais para gasolina A e diesel A — combustíveis ainda não misturados a etanol e biodiesel. A suspensão temporária dessa regra é considerada excepcional.
Impacto internacional
A medida ocorre em um cenário de forte instabilidade no mercado global de petróleo. A escalada de preços teve início após tensões no Oriente Médio, que afetaram rotas estratégicas de transporte, como o Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo.
Com interrupções logísticas e menor oferta global, o barril do petróleo Brent saltou de cerca de US$ 70 para picos próximos de US$ 120 nas últimas semanas, mantendo-se atualmente próximo de US$ 100.
Mesmo sendo produtor, o Brasil também sofre os efeitos dessa alta, já que o petróleo é negociado internacionalmente. No caso do diesel, cerca de 30% do consumo nacional depende de importações.
Além da flexibilização de estoques, o governo federal adotou outras medidas para conter o avanço dos preços, como desonerações e incentivos a produtores e importadores.
Fonte: cenariomt





