📝RESUMO DA MATÉRIA
- Pesquisas relacionam a exposição a microplásticos com doenças crônicas, como hipertensão arterial, acidente vascular cerebral e diabetes, posicionando essa exposição entre os 10 principais preditores dessas condições.
- Comunidades com níveis mais elevados de microplásticos apresentaram um número muito maior de doenças crônicas, com o risco crescendo de forma progressiva à medida que as concentrações de plástico se elevam.
- Um estudo identificou microplásticos incorporados em placas arteriais, e os pacientes afetados tinham quatro vezes mais probabilidade de sofrer infarto, AVC ou óbito.
- Partículas plásticas provocam inflamação e respostas imunológicas quando alojadas nos tecidos, aumentando o risco de doenças mesmo em pessoas sem fatores de risco convencionais.
- Formas eficazes de reduzir a exposição incluem filtrar a água potável, evitar embalagens plásticas para alimentos, usar recipientes de vidro, optar por roupas de fibras naturais e considerar a suplementação de progesterona natural para contrabalançar a interferência hormonal relacionada.
🩺Por Dr. Mercola
Você está absorvendo plástico todos os dias pelo ar, pela água e pelos alimentos. Essas partículas microscópicas estão sendo detectadas dentro de tecidos vivos, alojadas profundamente nos órgãos, absorvidas pelo intestino e circulando na corrente sanguínea.
Pesquisas recentes têm demonstrado fortes conexões entre essa exposição e condições como hipertensão arterial, AVC e disfunção metabólica. Estudos recentes indicam que até a exposição diária em níveis baixos está associada a um risco maior de eventos cardiovasculares. Não se trata mais apenas de reduzir o lixo. Trata-se de proteger seu coração, seu cérebro e sua saúde a longo prazo.
Os microplásticos estão entre os principais preditores de doenças crônicas
Uma pesquisa recente apresentada na Sessão Científica Anual do American College of Cardiology avaliou a concentração de microplásticos em sedimentos do fundo do mar e de lagos em 555 áreas censitárias costeiras e lacustres dos EUA, no período de 2015 a 2019. O objetivo foi comparar os níveis de exposição ao plástico com as taxas de doenças nessas mesmas comunidades.
Com base em dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, pesquisadores analisaram a prevalência de hipertensão arterial, diabetes, AVC e câncer, além de empregar técnicas de aprendizado de máquina para avaliar como a poluição por microplásticos se relacionava a outros 154 fatores ambientais e socioeconômicos.
• Pessoas que vivem próximas a áreas com altas concentrações de microplásticos apresentaram maior incidência de doenças crônicas: Comunidades expostas a níveis mais elevados de microplásticos apresentaram taxas maiores de doenças não transmissíveis, como AVC, hipertensão arterial e diabetes. Os pesquisadores destacaram que essas partículas plásticas eram inaladas ou ingeridas não em função de comportamentos atípicos, mas como resultado de atividades cotidianas básicas, como beber água, consumir alimentos ou até respirar o ar.
• Os microplásticos ficaram entre os 10 principais preditores de doenças crônicas: O estudo identificou os microplásticos como um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas. Por exemplo, a exposição a microplásticos apresentou uma forte correlação com o AVC, alcançando um impacto semelhante ao de outras variáveis de alto risco, como pertencer a uma minoria racial ou não possuir seguro de saúde.
• Maior quantidade de plástico esteve associada a maior ocorrência de doenças, evidenciando um efeito dose-resposta: O estudo demonstrou um padrão de dose-resposta, o que significa que o risco de doenças aumentou de forma progressiva à medida que as concentrações de plástico aumentaram. Regiões com níveis muito elevados de microplásticos, caracterizados pela presença de mais de 40.000 partículas por metro quadrado de sedimento, apresentaram os piores desfechos em termos de doenças, enquanto áreas com menos de 200 partículas exibiram os menores índices de adoecimento.
Os plásticos causam um estresse biológico de longo prazo
Os pesquisadores ficaram surpresos com a posição de destaque que os microplásticos ocuparam na análise dos dados. Esse achado colocou os microplásticos em evidência como um fator confiável, porém pouco reconhecido, no desenvolvimento de doenças modernas, sendo algo ao qual seu organismo pode estar reagindo todos os dias.
• As partículas plásticas permanecem no seu organismo: Os microplásticos são definidos como fragmentos com tamanho entre 1 nanômetro e 5 milímetros. Elas provêm de produtos de uso comum, como embalagens de alimentos, materiais de construção, roupas e até cosméticos.
Ao contrário dos materiais biodegradáveis, essas partículas não se degradam no organismo. Em vez disso, elas podem se alojar em tecidos ou circular na corrente sanguínea, onde desencadeiam respostas imunológicas, alterações hormonais ou inflamação de baixo grau, que são condições associadas a doenças cardiovasculares, resistência à insulina, entre outras.
• Os pesquisadores defenderam a adoção de medidas imediatas para reduzir a carga ambiental de plástico e minimizar a exposição individual: Segundo o autor principal do estudo, Sai Rahul Ponnana, cientista de dados em pesquisa da Case Western Reserve School of Medicine, em Ohio: “Cuidar do nosso meio ambiente significa cuidar de nós mesmos”.
Plásticos alojados em suas artérias aumentam de forma silenciosa seu risco cardiovascular
Um estudo relacionado, publicado no New England Journal of Medicine, encontrou microplásticos alojados em placas arteriais humanas. Os pesquisadores analisaram placas removidas durante procedimentos cirúrgicos em pacientes com doença avançada da artéria carótida.
• Eles confirmaram a presença de compostos plásticos: Entre eles estavam tipos de plástico comuns em recipientes para alimentos, tubulações e embalagens. Dos 257 participantes, 150, representando mais da metade, apresentaram níveis detectáveis desses plásticos incorporados à placa arterial.
• Aqueles com placas arteriais carregadas de plástico apresentaram resultados de saúde muito piores: Pacientes com presença de plásticos em suas placas tinham mais de quatro vezes mais probabilidade de sofrer um infarto, AVC ou morrer por qualquer causa durante o período de acompanhamento de três anos, em comparação com aqueles sem plásticos detectáveis.
• Os pesquisadores encontraram fragmentos de plástico irregulares e estranhos ao organismo dentro das células imunológicas: O estudo também mostrou que esses plásticos se infiltraram profundamente nos tecidos. A microscopia eletrônica revelou partículas com bordas afiadas alojadas dentro de células espumosas, que são células do sistema imunológico que se acumulam nas paredes das artérias durante a formação de placas.
A maioria das partículas apresentava tamanho inferior a 1 micrômetro, menor que a largura de uma hemácia, o que indica tratar-se de nanoplásticos, considerados ainda mais nocivos devido à capacidade de penetrar no interior das células.
Os plásticos inflamam suas artérias sem que você perceba
Os pesquisadores também observaram que a presença de plásticos apresentou correlação com níveis mais elevados de determinados marcadores inflamatórios, reconhecidos por agravar a inflamação vascular e aumentar o risco de ruptura súbita da placa aterosclerótica. Esse mecanismo está por trás de muitos casos de infarto e AVC. Os plásticos também estiveram associados a maior presença de células imunológicas, o que indica uma resposta ativa do organismo ao material estranho, semelhante à observada em processos infecciosos crônicos.
• A presença de partículas de plástico foi confirmada por meio de análise química: Algumas partículas apresentaram assinaturas específicas de cloro, confirmando a presença de policloreto de vinila (PVC). O PVC está presente em diversos produtos, desde tubulações hidráulicas até cartões de crédito, e seus produtos de degradação são reconhecidos como desreguladores endócrinos.
• Mesmo na ausência de fatores de risco convencionais, os plásticos aumentaram o risco de doenças: Os pesquisadores realizaram ajustes estatísticos para colesterol, idade, diabetes, índice de massa corporal e pressão arterial. Mesmo após o controle desses fatores de risco comuns, os plásticos continuaram a predizer quais indivíduos adoeceram. Isso significa que, mesmo que você se alimente bem e pratique exercícios físicos, sua exposição à poluição plástica pode comprometer a saúde do seu coração sem que você perceba.
• O ambiente em que você vive concentra as principais fontes de exposição, e os danos se acumulam ao longo do tempo: Os plásticos detectados neste estudo foram dos mesmos tipos que os encontrados em garrafas de água, recipientes para alimentos e diversos produtos domésticos. O estudo não identificou essas partículas em apenas uma região, mas em várias áreas distintas. Isso demonstra que a poluição plástica é um problema generalizado com consequências diretas para a saúde individual. Se essas partículas estão presentes no ar, na água e nos alimentos, há grande chance de atingirem sua corrente sanguínea e permanecerem por lá.
Como reduzir sua exposição aos microplásticos
Se você mantém um estilo de vida saudável, mas convive com pressão arterial elevada, alterações da glicemia ou sinais iniciais de estresse cardiovascular, é hora de ir além da alimentação e da prática de exercícios. Os plásticos vêm sendo identificados nas artérias, e ainda não há consenso científico sobre como removê-los do organismo. A maneira mais eficaz de se proteger consiste em reduzir a exposição na sua origem. Você não vai eliminar todas as partículas, mas pode reduzir de forma significativa a quantidade que entra no seu corpo a cada dia. Veja por onde começar:
1. Melhore seu sistema de filtragem de água e abandone as garrafas de plástico: Beber água contaminada da torneira ou comprar água em garrafas de plástico expõe você a microplásticos todos os dias. Recomendo a adoção de um filtro de água certificado, desenvolvido para remover microplásticos. Se a água da sua região for dura, fervê-la antes do uso reduz de forma expressiva a presença de microplásticos. Ao comprar água engarrafada, dê preferência a recipientes de vidro.
2. Faça escolhas inteligentes quanto às embalagens de alimentos: Calor e plástico formam uma combinação perigosa. Evite usar recipientes de plástico para aquecer alimentos no micro-ondas e não permita que o filme plástico entre em contato direto com suas refeições. Armazene sobras de alimentos em recipientes de vidro, aço inoxidável ou cerâmica. Durante as compras, priorize produtos acondicionados em frascos de vidro em vez de embalagens plásticas sempre que houver essa opção. Essas mudanças são simples, porém eficazes, e reduzem a ingestão direta de partículas plásticas.
3. Reavalie os utensílios da sua cozinha: As tábuas de corte de plástico soltam pequenos fragmentos cada vez que você as utiliza. Com o tempo, esses pedacinhos acabam incorporados na sua comida. Opte por tábuas de madeira ou vidro. Troque também utensílios de plástico por versões em aço inoxidável. Essas substituições reduzem sua exposição, ao mesmo tempo que aumentam a durabilidade e facilitam a manutenção dos utensílios de cozinha.
4. Escolha fibras naturais e repense a forma como lava as roupas: Roupas de poliéster, acrílico ou nylon são, na prática, feitas de plástico. Esses tecidos sintéticos liberam microfibras no sistema de água a cada lavagem. Prefira algodão, lã ou linho. Para as peças sintéticas que você já possui, reduza a frequência de lavagem e utilize sacos ou filtros capazes de reter microfibras. Essa medida protege seu organismo e também o meio ambiente.
5. Considere o uso de progesterona natural para ajudar a neutralizar os efeitos estrogênicos dos plásticos: Diversos plásticos exercem ação semelhante à do estrogênio no organismo. Esse é um dos principais motivos pelos quais interferem na função celular e no equilíbrio hormonal. Em casos de sinais de predominância estrogênica, como alterações de humor, dificuldade para perder peso ou fadiga, a progesterona natural contribui para o restabelecimento do equilíbrio hormonal. Ela atua como um antídoto direto para a desregulação hormonal induzida pelos plásticos.
Perguntas frequentes sobre microplásticos
P: Como os microplásticos afetam a saúde?
R: Os microplásticos são fragmentos minúsculos de plástico que entram no organismo por meio dos alimentos, da água e do ar. Estudos recentes mostram que eles não apenas passam pelo organismo, mas se alojam nos tecidos e inclusive nas paredes das artérias. Uma vez dentro do organismo, desencadeiam processos inflamatórios e interferem no funcionamento normal das células, aumentando o risco de hipertensão arterial, AVC, diabetes e eventos cardiovasculares.
P: Em que locais do corpo os pesquisadores encontraram plástico?
R: Em um estudo publicado no New England Journal of Medicine, pesquisadores identificaram plásticos incorporados em placas de artérias carótidas humanas. Essas partículas foram detectadas no interior de células imunológicas e em detritos teciduais, o que confirma que os plásticos não apenas circulam pelo organismo, mas se depositam e causam danos.
P: Quais doenças estão relacionadas à exposição a microplásticos?
R: O estudo do American College of Cardiology identificou associações robustas entre a poluição por microplásticos e diversas condições crônicas, entre elas o AVC, hipertensão arterial e diabetes. Concentrações mais elevadas de microplásticos no ambiente estiveram associadas de modo direto a maiores taxas de doenças nas comunidades do entorno.
P: Como os plásticos causam danos no interior das artérias?
R: Os plásticos atuam como agentes pró-inflamatórios dentro do organismo. Eles ativam células imunológicas, promovem a liberação de mediadores inflamatórios e comprometem a estabilidade da placa arterial. Esse processo eleva o risco de eventos graves, como infarto e AVC, mesmo na ausência de fatores de risco convencionais.
P: Como posso reduzir minha exposição a microplásticos?
R: É possível reduzir o risco ao filtrar a água, evitar embalagens plásticas para alimentos, substituir utensílios de cozinha por vidro ou aço inoxidável, optar por fibras naturais nas roupas e, em casos de predominância estrogênica associada à exposição a plásticos, utilizar suplementação com progesterona natural. Cada uma dessas medidas contribui para reduzir uma fonte de estresse causado pelos plásticos no seu organismo.
Fonte: mercola






