Mato Grosso

Polícia Civil Desmantela Esquema de Furtos a Caixas Eletrônicos com Facção Local em MT

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Uma facção criminosa de Mato Grosso teria dado suporte a um grupo especializado em furtos de caixas eletrônicos, com participação na vigilância dos locais, execução dos ataques e movimentação do dinheiro roubado. A suspeita é investigada pela Polícia Civil na Operação Círculo Vicioso, que apura seis ocorrências em Cuiabá e Várzea Grande.

Dois homens apontados como líderes do esquema, Douglas Floriano e Eduardo Domingos, foram presos preventivamente no Maranhão, na quinta-feira (5). Segundo o delegado Igor Sasaki, ambos são de Santa Catarina e percorriam diferentes estados para praticar os crimes.

De acordo com a investigação, quando chegavam a Mato Grosso, os suspeitos buscavam apoio de integrantes de uma facção local. Essas pessoas seriam responsáveis por atuar como olheiros, auxiliar nos ataques e receber ou movimentar os valores por meio de depósitos bancários.

“Quando esses indivíduos chegam em Mato Grosso, eles se unem à facção criminosa daqui para utilizar pessoas para servir como olheiros, para ajudar nos furtos e para introduzir o dinheiro através de depósitos em diversas fontes bancárias”, afirmou Sasaki.

A ofensiva policial também prevê outros oito mandados de prisão preventiva, além de 18 ordens de busca e apreensão e 18 autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos. A Justiça autorizou ainda 15 quebras de sigilo bancário e 13 bloqueios de ativos financeiros.

As medidas judiciais abrangem Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão. Até a divulgação das informações, não havia um balanço consolidado sobre o cumprimento de todas as determinações.

Investigação começou após furto de R$ 105 mil

O caso que deu origem à apuração ocorreu na madrugada de 21 de janeiro de 2026, em um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande. Na ocasião, os criminosos levaram R$ 105 mil de um caixa eletrônico, apesar de o sistema de segurança ter acionado o mecanismo que libera tinta sobre as cédulas.

Conforme a Polícia Civil, os ataques aconteciam durante a madrugada, enquanto os estabelecimentos permaneciam fechados. Em algumas situações, os suspeitos abriam passagem por paredes até alcançar os equipamentos. Para romper os cofres, utilizavam uma lança térmica, ferramenta industrial de corte.

A apuração identificou uma estrutura com funções distribuídas entre os envolvidos. Enquanto alguns executavam os furtos, outros cuidavam dos equipamentos tecnológicos, da lavagem dos valores e do recebimento do dinheiro.

Depois dos ataques, parte dos integrantes recorria a produtos químicos para retirar a tinta de segurança das notas. Em seguida, os valores eram depositados em quantias menores, distribuídas entre diferentes agências bancárias e contas de integrantes do grupo ou de terceiros. A estratégia, segundo os investigadores, buscava dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Os policiais também identificaram dispositivos instalados nas redes de agências bancárias, utilizados para obter informações de interesse do grupo. A finalidade e a extensão dessa atuação ainda fazem parte das apurações.

O bloqueio financeiro autorizado pela Justiça chega a R$ 239.980,52, conforme informou o delegado. O valor corresponde aos prejuízos já calculados em quatro das seis ocorrências investigadas. Portanto, não representa necessariamente dinheiro encontrado ou recuperado pelas autoridades.

Segundo Sasaki, os ataques em Mato Grosso foram interrompidos após a prisão de um dos investigados, em janeiro. A análise do celular apreendido com ele forneceu informações que ajudaram a identificar outros suspeitos e compreender a organização do esquema. Até a divulgação do material, não havia manifestações das defesas dos investigados.

Fonte: cenariomt

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