– A Justiça de Mato Grosso decidiu manter a prisão preventiva do policial militar Raylton Duarte Mourão, acusado de executar a personal trainer Rozeli da Costa Souza Nunes, em Várzea Grande. A decisão foi proferida pelo juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal do município, ao negar pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.
No pedido, os advogados requeriam a substituição da prisão por medidas cautelares, mas o magistrado entendeu que não houve alteração no quadro processual capaz de justificar a soltura. Para o juiz, permanecem presentes os requisitos que motivaram a decretação da prisão preventiva, sobretudo diante da gravidade dos fatos imputados ao réu.
Raylton é acusado de homicídio triplamente qualificado, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público. Ele teve a prisão decretada em setembro, após confessar que efetuou disparos contra o veículo da vítima enquanto estava na garupa de uma motocicleta.
Na decisão, o juiz destacou que a forma como o crime foi cometido pesa de maneira decisiva para a manutenção da custódia. Segundo o entendimento do magistrado, a conduta atribuída ao policial revela risco concreto à ordem pública, o que torna inadequada a aplicação de medidas alternativas à prisão.
“A prisão preventiva se trata de medida necessária para assegurar a ordem pública, diante da gravidade concreta dos fatos imputados, revelada, especialmente, pelo modus operandi empregado”, consta na decisão.
O crime
O assassinato da personal trainer Rozeli da Costa Nunes causou forte comoção em Mato Grosso no segundo semestre de 2025. Ela foi morta a tiros nas primeiras horas da manhã do dia 11 de setembro, quando saía de casa para trabalhar no bairro Residencial Alberto Canelas, em Várzea Grande.
No início das investigações, a Polícia Civil chegou a afirmar que o crime apresentava características semelhantes a execuções atribuídas a facções criminosas. Com o avanço das apurações, no entanto, a linha investigativa mudou e passou a apontar um crime com motivação pessoal.
As investigações identificaram Raylton Duarte Mourão como autor dos disparos. De acordo com a polícia, o crime teria sido motivado por uma ação judicial movida pela vítima contra o policial, relacionada a um acidente de trânsito, na qual ela cobrava o pagamento dos danos causados ao seu veículo.
Após a identificação do suspeito, Raylton e a esposa, Aline Kounz, deixaram Várzea Grande. O policial se apresentou às autoridades no dia 21 de setembro e, desde então, permanece preso em uma unidade militar.
Em depoimento à polícia, Raylton alegou que ficou abalado emocionalmente após receber a intimação judicial e afirmou ter ouvido vozes que o incentivavam a cometer o crime. O delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, relatou que o investigado disse ter passado dias em conflito psicológico antes da execução.
Fonte: odocumento






