O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) sugeriu a realização de um plebiscito como alternativa para solucionar a disputa territorial entre Mato Grosso e Pará, que voltou ao centro do debate político e jurídico com a proximidade da audiência de conciliação marcada no Supremo Tribunal Federal (STF).
A controvérsia envolve uma área de aproximadamente 22 mil km², na divisa entre os dois estados, e é tratada por Mato Grosso não apenas como uma disputa de limites geográficos, mas também como um problema social e administrativo. O argumento do governo mato-grossense é de que parte da população que vive na região, embora esteja oficialmente em território paraense, depende historicamente de serviços prestados por municípios de Mato Grosso, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Ao comentar o assunto, Pivetta afirmou que, por se tratar de uma questão judicializada, vinha tratando o tema com pouca ênfase, mas defendeu que a vontade da população local seja considerada caso não haja acordo entre os estados.
Ao ser questionado sobre as declarações da governadora do Pará Hana Ghassan (MDB), que alegou não estar disposta a ceder nenhum palmo de terra, Pivetta declarou: “Para falar a verdade, tratei isso com pouca importância. Esse assunto está judicializado”.
No entanto, o governador alegou que quem cuida dessa região é Mato Grosso. “Quem dá estrada, assistência, saúde e educação somos nós, que damos apoio para esta população que mora nesta área. Se não houver outra solução, basta fazer um plebiscito para saber com as pessoas que moram nesta região qual estado elas querem participar: se é o Pará ou Mato Grosso”, declarou o governador.
A fala de Pivetta ocorre em meio ao acirramento da disputa entre os dois estados. A audiência de conciliação no STF foi remarcada para o dia 10 de junho de 2026, às 9h, pelo ministro Flávio Dino, relator do processo. O encontro deve reunir representantes dos governos de Mato Grosso e Pará, das bancadas federais, das Assembleias Legislativas dos dois estados, da União e da Procuradoria-Geral da República.
O objetivo é tentar construir uma solução consensual para um impasse histórico. Mato Grosso sustenta que houve erro na definição da linha divisória entre os estados, especialmente em relação à localização do marco geográfico conhecido como Salto das Sete Quedas. O Pará, por sua vez, defende a manutenção dos limites reconhecidos oficialmente e já validados em decisão anterior do Supremo.
Além da discussão territorial, o caso ganhou força pela situação dos moradores da região. Lideranças de Mato Grosso alegam que, em alguns casos, o deslocamento até municípios paraenses é muito mais longo e inviável, enquanto o acesso a cidades mato-grossenses é mais próximo e funcional. O Estado também argumenta que, mesmo prestando assistência à população, enfrenta limitações para realizar investimentos estruturais em áreas que pertencem oficialmente ao Pará.
A área em disputa tem cerca de 22 mil km² e abrange seis municípios paraenses: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia.
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Fonte: leiagora




