O motivo são as regras eleitorais, que obrigam a desincompatibilização de secretários que querem ser candidatos nas eleições, mas algumas mudanças devem ser políticas. Pivetta, então, terá de preencher lacunas no coração da máquina, em áreas sensíveis de entrega e em postos de articulação política.
Com a saída de Fábio Garcia (União) para ser candidato a deputado federal, a Casa Civil, que coordena a engrenagem do governo, precisará de um novo comandante. Nos corredores do Paiaguás, o nome mais ventilado é o do secretário de Fazenda, Rogério Gallo, opção com perfil técnico e de controle da máquina. O secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, já foi citado como alternativa política, mas esse cenário dependerá de arranjos com o senador Jayme Campos (União), de quem Miranda é aliado próximo. E Jayme articula candidatura ao governo em rota de colisão com Pivetta. Se Gallo for o escolhido, um dos adjuntos da Sefaz deve assumir a secretária, ou ele poderia acumular os dois cargos até o final de 2026. Mesmo situação para o caso de César Miranda.
A saída de Gilberto Figueiredo (União) abre disputa entre dois perfis. O favorito técnico é Juliano Melo, secretário-adjunto de Vigilância em Saúde e braço operacional da gestão, envolvido na entrega do Hospital Central e na operação para inauguração do Hospital Regional de Alta Floresta, além do acompanhamento de outros três hospitais regionais em construção. No campo político, a secretária de Saúde de Cuiabá, Danielle Carmona, também é citada. Ela foi escolhida por Mauro Mendes para comandar a intervenção na Saúde da capital e, ao ser chamada por Abilio Brunini (PL) para integrar a prefeitura, virou um aceno institucional de aproximação entre os dois grupos. Um eventual retorno ao Estado teria peso político.
Alan Porto (União), deve deixar a Seduc para disputar eleição de deputado estadual. Entre os nomes citados para substituir o secretário está Amauri Monge, hoje na Educação de Cuiabá, mas que foi braço direito de Alan Porto no governo estadual antes de ser chamado por Abilio Brunini. A alternativa mais previsível é a escolha de um dos adjuntos, mantendo integralmente o modelo de gestão da Seduc.
Com a saída de Dr. Leonardo (Republicano) para ser candidato a deputado federal, a pasta ainda não tem favorito consolidado. O posto, porém, ganha relevância em ano eleitoral: tanto pode ser ocupado por perfil técnico, quanto por nome para consolidar aliança política para coordenar interlocução com partidos e bancada.
Allan Kardec (PSB) também deve sair para ser candidato a deputado estadual e ainda não há sucessor claro. A tendência, neste caso, é a escolha de um nome interno. Corre por fora o vereador Daniel Monteiro (Republicanos).
Além das mudanças obrigatórias, quatro secretarias estão sob observação.
César Roveri ainda não definiu se disputará eleição. Se permanecer no cargo, a tendência é de continuidade. Se decidir concorrer, o governo deve optar por uma sucessão interna, com dois adjuntos despontando como favoritos: o coronel PM Héverton Mourett de Oliveira, adjunto de Segurança Pública, e o coronel PM Fernando Galindo, adjunto de Integração Operacional, para evitar rupturas administrativas em área sensível antes do fim de 2026.
A secretária Laíce Souza pode deixar a Secom para atuar na campanha de Mauro Mendes ao Senado, mas a tendência no núcleo do governo é que Pivetta tente mantê-la no posto, ao menos até o fim de 2026. Laíce domina a máquina de comunicação, tem respeito técnico do vice-governador e sua permanência reduziria risco de ruído e trauma institucional na relação com veículos de comunicação em ano eleitoral.
Uma das secretárias que ganhou destaque durante a gestão do governador Mauro Mendes, a Sedec pode mudar de comando por alguns motivos diferentes. César Miranda pode deixar o cargo para coordenar a campanha do seu amigo e aliado político Jayme Campos, assim como pode ser levado a assumir a Casa Civil em caso de um acordo político entre Jayme e Pivetta. Também existe a chance dele permanecer no cargo ou indicar um substituto de confiança para o caso de Jayme e Pivetta firmarem aliança e ele não ir para Casa Civil
Na MT Par, a tendência é que o presidente Wener Santos (Progressistas) deva permanecer no cargo, tanto pela missão de concluir o Parque Novo Mato Grosso quanto por ser operador de programas que fazem parte da vitrine social do grupo político, em especial o Ser Família Habitação, ligado à primeira-dama Virginia Mendes (União), a qual deve ser candidata a vaga na Câmara Federal.
Fonte: Olhar Direto






