Cenário Político

Pivetta faz analogia entre aumento de tarifas e “tosa de porco” em posicionamento sobre exploração eleitoral

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2026

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) minimizou os efeitos do novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros e afirmou que o assunto tem sido explorado no país com objetivos eleitorais. Na avaliação dele, a medida terá impacto praticamente nulo sobre a produção e as exportações de Mato Grosso.

“Esse negócio é como tosa de porco: muito grito e pouca lã. Você segura o porco e é uma gritaria do cão, mas não acontece nada. É mais ou menos isso que está acontecendo no Brasil. Todo mundo está se apegando a isso com fins eleitoreiros”, declarou.

Pivetta sustentou que os Estados Unidos não ocupam posição relevante entre os destinos dos produtos mato-grossenses e destacou que a carne bovina ficou fora da nova taxação.

“Para nós, não muda absolutamente nada. Não temos os Estados Unidos como um mercado importante. A carne está fora dessa tributação. Para nós, o impacto é zero”, afirmou.

A nova rodada de tarifas, chamada de “tarifaço 2.0”, foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, no último dia 15. A medida estabelece uma sobretaxa de 25% para produtos brasileiros que entrarem no mercado norte-americano a partir de 22 de julho. A cobrança foi fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O novo formato foi adotado após a Suprema Corte norte-americana derrubar, em fevereiro, parte das tarifas globais anteriormente impostas por Trump com base em uma legislação de emergência. A administração norte-americana passou, então, a utilizar uma norma voltada ao combate de práticas comerciais consideradas desleais.

A lista final preservou cerca de 2,1 mil produtos brasileiros entre as exceções. Ficaram fora da sobretaxa itens importantes como carne bovina, café, produtos energéticos, terras raras, aeronaves e componentes de aviões. Por outro lado, a tarifa alcançará setores como móveis, etanol, açúcar, máquinas, calçados, madeira e papel.

Para Pivetta, o volume de exceções esvaziou o alcance econômico da medida.

“Parece que não sobrou nada para ser taxado. Essa conversa, essa gritaria que está sendo feita, para mim, é inócua. Ninguém ganha, ninguém perde. Só o povo fica ouvindo isso de um lado e do outro”, completou.

Apesar da avaliação do governador, o impacto não será nulo para toda a economia brasileira. A estimativa apresentada pelo governo federal é que aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, equivalentes a cerca de US$ 7 bilhões por ano, sejam atingidas. Os segmentos de madeira, máquinas, móveis e calçados estão entre os mais expostos.

No caso de Mato Grosso, a exposição direta é menor. Em 2024, os Estados Unidos ocuparam apenas a 17ª posição entre os destinos dos produtos mato-grossenses, com compras de aproximadamente US$ 415 milhões. No mesmo período, a China adquiriu mais de US$ 9 bilhões em mercadorias do Estado. A carne bovina liderou as vendas mato-grossenses ao mercado norte-americano, com US$ 148,4 milhões, e agora está entre as exceções do novo tarifaço.

A administração Trump justifica as tarifas com acusações relacionadas ao comércio digital, ao sistema brasileiro de pagamentos, à proteção da propriedade intelectual, ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro rejeita os argumentos, atribui motivação política à medida e anunciou que poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio e à Lei da Reciprocidade Econômica.

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Fonte: leiagora

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