O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) criticou a política econômica do governo federal e afirmou que os juros altos no país inviabilizam investimentos de longo prazo, especialmente em obras de infraestrutura. A declaração foi dada durante coletiva após a inauguração do primeiro trecho da ferrovia estadual de Mato Grosso.
Segundo Pivetta, o Brasil vive um cenário em que o governo federal gasta mais do que arrecada, recorre ao mercado para cobrir despesas e, com isso, mantém os juros em patamares elevados. Para ele, esse ambiente afasta investidores e compromete projetos estratégicos, como a expansão ferroviária.
“O Brasil gasta mais do que arrecada, toma dinheiro no mercado e os juros ficam em 15%. Com 15% ao ano, é impossível qualquer investimento de longo prazo ter viabilidade”, afirmou o governador.
Pivetta comparou a situação do país com o processo de ajuste fiscal feito em Mato Grosso a partir de 2019. De acordo com ele, o Estado conseguiu reorganizar as contas, reduzir o peso da dívida e manter capacidade de investimento sem depender de juros elevados.
“Nós acreditamos que o Brasil vai curar esse mal, como Mato Grosso já fez em 2019. Nós organizamos o Estado, fizemos saneamento fiscal e mantivemos o Estado com capacidade de investimento, sem pagar muitos juros. Nossa dívida é pequena. É isso que o Brasil tem que fazer. Aí as empresas conseguem prosperar”, declarou.
A crítica foi feita ao comentar as dificuldades para novos investimentos ferroviários. Pivetta citou o contrato do Estado com a Rumo, que prevê a chegada dos trilhos a Cuiabá e a continuidade da ferrovia até Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. Apesar de afirmar que o governo irá cobrar o cumprimento do contrato, ele reconheceu que a mudança no cenário econômico tornou os investimentos mais difíceis.
“A Rumo começou o investimento com juros de 4% ao ano, no cenário de 2021 e 2022. Hoje, tem que tomar dinheiro no mercado a 15% ao ano. A gente sabe que é difícil”, disse.
O governador afirmou que a empresa apresentou ao Estado o fluxo de caixa e demonstrou as dificuldades provocadas pelo aumento dos juros. Ainda assim, Pivetta defendeu que, com uma mudança na condução da política econômica nacional, os investimentos poderão ser retomados.
“Eles nos apresentaram o fluxo de caixa e mostraram a dificuldade que têm. Nós acreditamos que o Brasil, mudando o jeito de fazer, o jeito de tratar o dinheiro público, fará com que os juros caiam novamente e os investimentos sejam retomados a todo vapor”, completou.
Pivetta também citou a Ferrogrão, projeto considerado estratégico para o escoamento da produção mato-grossense. Segundo ele, a ferrovia está liberada e depende da realização do leilão pelo governo federal, mas o cenário de juros elevados pode dificultar a atração de investidores.
“A Ferrogrão está liberada. Basta ter investidor. O governo federal deve fazer o leilão em breve. Qual investidor vai investir no Brasil, em infraestrutura ferroviária, com juros de 15%?”, questionou.
Ao tratar dos financiamentos públicos, Pivetta afirmou que o BNDES é importante para viabilizar obras de interesse social, mas ressaltou que os recursos não são gratuitos e precisam ser pagos. Ele citou como exemplo o financiamento da BR-163, em que o custo final é repassado à população por meio do pedágio.
“O BNDES é um banco, e é muito bom que financie investimentos que são de interesse social. A BR-163 também. Nós tomamos R$ 5 bilhões do BNDES, mas pagamos juros. Então, quem paga esses juros é o povo, por meio do pedágio. Não tem nada de graça”, afirmou.
Para Pivetta, o problema central está no desequilíbrio das contas públicas federais. O governador disse que, ao disputar recursos no mercado, a União concorre com empresas e cidadãos que também precisam de crédito.
“O triste é a União gastar mais do que arrecada e, todo ano, ter que tomar dinheiro no mercado, concorrendo com vocês, que, de vez em quando, precisam de um empréstimo e pagam 2% ou 3% ao mês”, criticou.
Fonte: leiagora





