A indústria chinesa de games chamou a atenção do Ocidente com um jogo para celular, o gratuito e popular Genshin Impact (2020), e consolidou seu espaço com Black Myth: Wukong (2024), para PC e consoles, que vendeu 20 milhões de cópias só no primeiro mês. Agora, volta a lançar um título interessante: Phantom Blade Zero, que foi desenvolvido pela produtora S-Game e lançado na última quinta-feira (29) para PlayStation 5 e PC.
Phantom Blade Zero é inspirado num gênero cultural chamado wuxia (“artes marciais e cavalaria”, em chinês), que existe há mais de 2.000 anos e narra as aventuras de lutadores – um exemplo recente é o filme O Tigre e o Dragão, vencedor de quatro Oscars em 2001.
Falado em chinês com legendas em português, o jogo parte de uma premissa simples: o protagonista, Soul, é acusado de um crime que não cometeu. Há um claro esforço da S-Game para contar a história, nem sempre com sucesso – o enredo tem momentos simples demais e outros meio confusos, que deixam pontas soltas.

Mas tudo bem; assim como no wuxia, a ênfase está na ação em si. E ela é ótima. As lutas são bem acrobáticas, com movimentos dramáticos e exagerados, fiéis ao gênero. A S-Game diz ter levado três anos para capturar todos os gestos dos personagens, o que foi feito com a ajuda de mais de 20 especialistas em artes marciais.
Os controles são ágeis e precisos, a câmera se comporta corretamente e o sistema de combate é bem calibrado: não é complicado nem simples demais. Dá para pegar e sair jogando, mas também compensa aprender algumas técnicas e experimentar as espadas e os poderes que você vai coletando ao longo do jogo (são 30 armas primárias e 25 secundárias).

O nível de dificuldade é ajustável, e o modo padrão é bom para a maioria das pessoas – tem o grau exato de desafio, especialmente nos combates contra os chefes. Também há o curioso “modo 66 dias”: se você morrer 66 vezes (o número tem um significado na mitologia do jogo), o game acaba e volta para o começo, perdendo todo o progresso.
Phantom Blade Zero não é de mundo aberto, nem puramente linear: permite e requer alguma exploração, mas restrita a certos limites. Tem um ritmo bem próprio – e agradável. Os gráficos são bons, com cenários bonitos e muitos efeitos de luz, especialmente durante as lutas mais intensas. Testamos no PlayStation 5, onde ele roda bem, a 60 fps estáveis.
O game oferece bastante conteúdo, mais de 30 horas, a um preço razoável, bem abaixo da média dos lançamentos. Se você gostou de Black Myth: Wukong, ou simplesmente procura um bom jogo de ação, vale conferir.
Phantom Blade Zero está disponível para PlayStation 5 e PC (Steam) por R$ 229,90.
Fonte: abril






