Pescadoras brasileiras de 44 e 70 anos ganham título de heroínas da ONU em Roma
Duas pescadoras brasileiras foram reconhecidas como heroínas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. Joana Rodrigues Mousinho, de 70 anos, de Pernambuco, e Luena Pataxó, de 44, da Bahia, receberam a homenagem na quinta-feira (15), pelo trabalho desenvolvido em suas comunidades.
As duas foram incluídas na lista das 100 Mulheres Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural. A seleção recebeu 609 indicações de 131 países e reconheceu mulheres que contribuem para a produção de alimentos, a geração de renda e a preservação ambiental.
Indicadas pelo Ministério das Mulheres, Joana e Luena receberam o prêmio das mãos de Qu Dongyu, diretor-geral da FAO. As duas dedicam suas trajetórias à pesca artesanal e à defesa dos direitos das comunidades que dependem dessa atividade.
Joana é pescadora há mais de 60 anos
Aos 70 anos, Joana Rodrigues Mousinho continua trabalhando na pesca artesanal no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma, Pernambuco. Ela começou ainda criança e, ao longo de seis décadas, construiu uma trajetória de liderança entre as mulheres pescadoras.
Joana foi a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no Brasil e uma das pioneiras na obtenção do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), documento que reconhece oficialmente os profissionais do setor.
Ela também ajudou a fundar a Articulação Nacional das Pescadoras, movimento que luta pelos direitos das trabalhadoras da pesca artesanal. Em 2024, recebeu o Prêmio Mulheres das Águas, do Ministério da Pesca e Aquicultura.
Atualmente, Joana continua pescando peixes, camarões, mariscos e siris, que comercializa diretamente. O reconhecimento internacional foi motivo de comemoração também entre os moradores de sua comunidade.
“Foi uma conquista, minha comunidade está muito feliz e agradecida”, contou Joana.
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Luena representa pescadores indígenas da Bahia
A outra brasileira homenageada é Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó. Aos 44 anos, ela preside a Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó, em Coroa Vermelha, distrito de Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia.
Luena cresceu acompanhando os pais na limpeza de peixes e mariscos e também trabalhou como pescadora. Hoje, lidera iniciativas voltadas à geração de renda, à segurança no mar e à valorização da cultura indígena.
A liderança também preside o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul da Bahia, que reúne oito municípios e 13 associações. Além disso, criou um grupo de trabalho indígena dentro do Plano Nacional da Pesca Artesanal.
Antes do reconhecimento da ONU, Luena já havia conquistado o primeiro lugar estadual e o terceiro nacional no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria Produtora Rural.
Ao receber a homenagem em Roma, a pescadora fez questão de dividir o reconhecimento com seu povo.
“A homenagem não é para mim, estou representando a minha comunidade”, afirmou.
Reconhecimento internacional
A premiação faz parte das ações da FAO para o Ano Internacional da Mulher Agricultora de 2026. A iniciativa reconhece mulheres que atuam na agricultura, na pesca, na preservação de recursos naturais e no desenvolvimento das comunidades rurais.
Segundo a organização, as mulheres representam 41% da força de trabalho mundial nos sistemas agroalimentares, mas ainda enfrentam dificuldades de acesso a recursos, condições adequadas de trabalho e participação nas decisões do setor.
Joana e Luena também integram o Fórum de Políticas Públicas de Autonomia Econômica e Cuidado com Mulheres da Pesca, Aquicultura Artesanal e Marisqueiras do Brasil, que trabalha para ampliar a participação dessas profissionais nas políticas públicas.
Fonte: sonoticiaboa





