Animal não fala, mas sofre, sente dor e morre sem entender a maldade dos homens. Orelha foi apenas mais uma vítima de milhares, talvez milhões de animais maltratados e mortos no mundo. Qual é o limite da perversidade humana? As notícias que nos chegam nos mostram que não existe. Já foram indígenas, indivíduos em situação de rua, pessoas com necessidades especiais, idosos, crianças, mulheres, desafetos de diferentes ideologias políticas e outros mais, que agora me fogem à memória.
Isso se tratando de gente. O problema é que para o perverso ainda é pouco, sua ira necessita de mais vidas para ser extravasada. Então, de permeio, surgem os animais, talvez fossem a bola da vez, mas não, são apenas outras bolas, eles precisam de muitas para satisfazer seu instinto malévolo. Assim como existem os seres humanos preferidos para servir como depósito de maldade, há também os animais eleitos para isso, e são justamente aqueles que mais convivem com o ser humano, interagem conosco nos protegem, sofrem nossa ausência e morrem por nós, se for preciso. Assim são os cães e os gatos, tão presentes em nossas vidas, que antes se comportavam como dois inimigos mortais e hoje convivem amigavelmente, disputando nossa atenção.
Oficialmente temos com eles uma relação de tutor e tutelado; extraoficialmente, de amigos e até de pais e filhos, algo que chega a ser condenado por muitos, mas que, inegavelmente, é o que acontece em milhões de famílias e o afeto entre as partes é tão puro e sincero, que não há como impedir que essa condição afetiva exista entre humanos e animais. Mas, o contrário infelizmente acontece, aliás em tudo há o lado oposto, neste caso quando a relação entre o homem e o animal transcorre eivada de violência.
Muitas pessoas já nascem potencialmente más, algo que já vem de útero e que o berço atenua ou potencializa a maldade que habita esses indivíduos. As regras sociais e, mais ainda, as leis são as maiores responsáveis pelo impedimento à prática de comportamentos perversos. Felizmente, a maioria é respeitadora das regras sociais e das leis. Alguns, porém, dizem importar-se com as normas legais e, por muito tempo, parece que agem de acordo com elas, porém mais cedo ou mais tarde, cai a máscara e percebe-se que sempre as desrespeitaram. Muitos são aqueles que pouco se importam com o que pensa a sociedade e transgridem às claras e frequentemente as leis penais.
É simples conceituar perversidade, todos sabemos o que significa, mas nem sempre é simples identificar o perverso, que muitas vezes se trata de uma pessoa dissimulada, eloquente, que mente com frequência, que comumente culpa outras pessoas por atos reprováveis, socialmente inaceitáveis, por ela praticados. Enquanto ficamos chocados e tristes com determinadas barbaridades, o perverso encontra nelas um prazer que busca continuamente, tanto em seus atos como em suas fantasias.
Mas o que fazer para evitar perversidade como essa que foi praticada contra Orelha. A lei, quando pode, pune o criminoso, mas antes da punição seria ideal que pudéssemos prevenir. Infelizmente isso não é, de todo, possível, mas certamente alguns traços malévolos da personalidade podem ser atenuados com educação adequada desde a infância, com os pais ensinando aos filhos o sim e o não, agindo com reforço positivo nos comportamentos desenvolvidos por eles, reconhecidos como corretos e com reforço negativo frente a aqueles comportamentos socialmente reprováveis. À escola deve ser dada autonomia para corrigir condutas erradas ou perigosas de seus estudantes, desde os anos pré-escolares.
Talvez assim, com prevenção desde o pré-natal; seguida no seio familiar desde os primeiros anos de vida; mantida na escola com maior preparo e autonomia dos professores para ensinar e reforçar a educação dos pais; reforçada na mídia e nos programas sociais. Ao lado dos cuidados preventivos, vem a necessidade igualmente importante da repressão da Lei, que deve ser justa e severa. Com prevenção e repressão é possível que consigamos diminuir muitas das atrocidades, que nos causam perplexidade, das quais tomamos ciência através dos diversos meios de comunicação. É quando percorremos a história, desde a antiguidade, e nos perguntamos: afinal de contas são humanos ou seres desumanos?
Fonte: primeirapagina






