O termo “passaporte dourado” se refere aos programas de cidadania por investimento. A lĂłgica Ă© simples: o interessado pode adquirir a cidadania atravĂ©s de um grande investimento financeiro no destino, seja em compra de imĂłveis ou atĂ© contribuindo para os fundos governamentais — mesmo que nĂŁo tenha qualquer vĂnculo familiar, emprego ou residĂŞncia fixa aquele paĂs.
O mecanismo já foi adotado de forma legal por diversos paĂses ao longo das Ăşltimas dĂ©cadas, principalmente pequenos Estados em busca de alternativas para suas economias. Para quem compra, as vantagens incluem liberdade para viajar sem vistos, benefĂcios fiscais e a possibilidade de ter um “plano B” em caso de crises polĂticas ou econĂ´micas no seu paĂs de origem.
O modelo tambĂ©m levanta questionamentos Ă©ticos. Segundo internautas, enquanto milhões de pessoas enfrentam barreiras para migrar, quem tem capital pode obter em poucos meses aquilo que outros levam anos para conquistar. AlĂ©m disso, organizações anticorrupção alertam que, em alguns casos, a falta de fiscalização abre espaço para lavagem de dinheiro e concessĂŁo de cidadania a indivĂduos envolvidos em atividades ilĂcitas.
Governos defendem os programas como formas de atrair investimento estrangeiro direto, gerar empregos e financiar infraestrutura. Já consultores de mobilidade global destacam que os clientes buscam status, segurança e liberdade de circulação.
O mercado global dos passaportes dourados
Apesar das polĂŞmicas, os passaportes dourados se consolidaram como um mercado global que movimenta bilhões de dĂłlares todos os anos. SĂŁo CristĂłvĂŁo e NĂ©vis, no Caribe, foi pioneiro em 1984. Para se qualificar, Ă© necessário investir um mĂnimo de US$ 250 mil no Fundo de Crescimento Sustentável ou US$ 400 mil em imĂłveis aprovados pelo governo. A cidadania vale por toda a vida, e pode ser passada para as gerações futuras por descendĂŞncia.
As ilhas caribenhas Dominica, AntĂgua e Barbuda, Santa LĂşcia e Granada, alĂ©m dos paĂses europeus Turquia e Montenegro, tambĂ©m oferecem versões prĂłprias, geralmente com valores mĂnimos entre US$ 200 mil e US$ 500 mil e o benefĂcio de visitar destinos variados sem visto.Â
Entre os programas mais recentes está o de Nauru, uma pequena ilha do PacĂfico de 21 km², que lançou em fevereiro a chamada “cidadania de resiliĂŞncia climática”, oferecida em troca de investimentos de cerca de U$ 130 mil.
O objetivo declarado do governo é financiar ações contra as mudanças climáticas, que ameaçam diretamente a sobrevivência do território. A expectativa inicial era arrecadar o equivalente a R$ 5 milhões, mas, até o momento, apenas seis solicitações foram aprovadas. Ainda assim, o presidente David Adeang se mantém otimista e espera que, em médio prazo, o programa atinja 500 aprovações. O passaporte de Nauru dá direito a entrada sem visto em mais de 80 destinos.
Fonte: viagemeturismo





