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Parakanã retomam território no Pará: desafios e ameaças enfrentados pós-desintrusão

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Dois anos após a retirada de ocupantes ilegais da Terra Indígena (TI) Apyterewa, no sudeste do Pará, o povo Parakanã avança na reocupação do território e na reconstrução das aldeias. O processo de desintrusão foi concluído em 2024, mas a comunidade ainda enfrenta os efeitos de décadas de invasões, desmatamento e conflitos.

A retirada dos invasores foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023 e integrou uma operação coordenada por cerca de 20 órgãos federais. A ação ocorreu em nove territórios da Amazônia Legal, onde vivem aproximadamente 60 mil indígenas. Em Apyterewa, o processo foi considerado um dos mais complexos devido à resistência de produtores rurais e à presença de estruturas consolidadas dentro da área, como comércios e instalações de apoio à pecuária.

Mais de 2 mil não indígenas foram retirados nos primeiros meses da operação, e, em março de 2024, a área foi simbolicamente devolvida aos Parakanã. Apesar disso, o trabalho de fiscalização continua. Parte do rebanho bovino ainda permanece dentro da terra indígena. De um total estimado de 50 mil cabeças, cerca de 1.300 animais ainda estavam espalhados em 43 pontos, segundo monitoramento ambiental.

A retirada dos animais ocorreu em meio a tensões. Durante uma das operações, um vaqueiro contratado para auxiliar na condução do gado foi morto. No fim de janeiro, a Polícia Federal informou a prisão de um suspeito pelo crime e por ataques contra indígenas, mantendo as investigações sob sigilo.

Além disso, os Parakanã relatam um cenário persistente de insegurança. Após a desintrusão, foram registrados ataques armados, ameaças e tentativas de invasão. Um veículo da associação indígena foi alvo de disparos, e um indígena ficou ferido em uma das ocorrências. Lideranças afirmam que a permanência das comunidades no território depende do reforço da presença do Estado.

A Terra Indígena Apyterewa possui cerca de 773 mil hectares e abriga aproximadamente 1.400 Parakanã. Demarcada nos anos 1990 e homologada em 2007, a área foi intensamente ocupada por pecuaristas nas últimas décadas, tornando-se a terra indígena mais desmatada da Amazônia. Dados de monitoramento indicam que o desmatamento atingiu 102 km² em 2022, mas caiu mais de 90% após a retirada dos invasores, chegando a 7,5 km² em 2025.

Com a redução das pressões ambientais, os indígenas já observam sinais de recuperação da fauna e da floresta. Paralelamente, o grupo elabora um plano de proteção territorial em parceria com órgãos federais e busca apoio para restaurar áreas degradadas.

Entre as iniciativas em andamento está o reflorestamento. Mulheres das aldeias já receberam capacitação para coleta, preparo e plantio de sementes. O objetivo é recuperar a cobertura vegetal e fortalecer a autonomia ambiental e econômica da comunidade.

O Ministério da Justiça informou que a presença da Força Nacional foi reforçada na região, com envio de equipes especializadas e previsão de novos contingentes conforme a necessidade. As autoridades afirmam que as ações de proteção e monitoramento da área devem continuar.

Fonte: cenariomt

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