O Cine Teatro Cuiabá foi palco, na noite deste sábado (21), do lançamento da 23ª Parada do Orgulho de Mato Grosso. Com shows de drag queens e apresentações de dança, o evento apresentou ao público o tema deste ano, “Envelhecer com Orgulho: Democracia, Resistência e Memória”. A parada está marcada para o dia 30 de maio, em Cuiabá.
A nova edição terá concentração na Praça Ipiranga, a partir das 15 horas, e segue em caminhada até a Orla do Porto, onde tradicionalmente acontecem apresentações culturais e outros movimentos.
Organizada pela Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso, a escolha do tema busca lançar luz sobre desafios como o envelhecimento, além de resgatar trajetórias que ajudaram a construir a luta por direitos no estado.
Em entrevista ao Primeira Página, o presidente da associação, Clóvis Arantes, a proposta deste ano parte da necessidade de conectar passado, presente e futuro.
“Quando a gente fala em envelhecer com orgulho, democracia, resistência e memória, estamos falando da possibilidade de olhar para quem veio antes de nós, reconhecer essas histórias e, a partir delas, planejar o futuro. A memória não é só lembrança, ela é ferramenta para construir caminhos”, afirmou o presidente.
O ativista também foi corado ‘Rei da Parada’ e destaca que o tema também traz para o centro do debate um grupo frequentemente invisibilizado.
“Há muitas pessoas que já não estão mais nos espaços públicos, que se recolhem por conta da pressão estética, por não se enxergarem nesse padrão que a sociedade impõe. Isso é ainda mais evidente quando falamos de travestis e pessoas transexuais, que enfrentam um processo de envelhecimento atravessado por preconceitos e por uma série de vulnerabilidades”, comentou.
O presidente reforça que a discussão proposta pela parada vai além da visibilidade. Outras reivindicações como acesso a educação, moradia digna e saúde também estarão articuladas ao tema da nova edição do movimento de rua.
“Falar de envelhecimento é falar de saúde, de educação, de moradia, de dignidade. É entender que essas pessoas precisam de políticas públicas específicas e de um olhar mais atento da sociedade. Não é um debate isolado, é um debate estrutural”, afirmou.
Com a proposta de agregar todo o estado, o presidente acredita que a parada segue como o principal espaço para mobilização e diálogo com diferentes gerações.
“A parada é esse grande momento de encontro, de ocupação das ruas, onde conseguimos ampliar essa conversa. É ali que conseguimos dar visibilidade e chamar a sociedade para participar. O lançamento já mostrou a importância desse diálogo, mas ele precisa continuar e crescer até o dia da parada”, concluiu Clóvis.
Fonte: primeirapagina





