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Papa Leão XIV pede desculpas por era de escravidão de infiéis: um marco histórico

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2026

Nesta segunda-feira (25), o papa Leão XIV fez um pedido histórico de perdão pelo papel da Santa Sé na legitimação da escravidão e por ter demorado séculos para condená-la.

Durante a fala, Leão classificou o passado do Vaticano como uma “ferida na memória cristã” e afirmou que a Igreja precisa condenar com firmeza todas as formas de exploração ligadas à revolução tecnológica digital caso queira evitar a necessidade de pedir perdão novamente no futuro.

Papados anteriores já haviam pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de escravizados. Mas nenhum papa havia reconhecido publicamente, nem pedido perdão pelo papel de antigos pontífices em autorizar explicitamente soberanos europeus a subjugar e escravizar os considerados “infiéis”.

Sendo o primeiro papa natural dos Estados Unidos, o próprio Leão XIV tem uma história familiar que inclui tanto pessoas escravizadas quanto donos de escravos.

O pedido de desculpas foi feito em sua primeira encíclica, ‘Magnifica Humanitas’ (‘Humanidade Magnífica’). No documento, o papa trata dos desafios para proteger a humidade em uma era de crescente dependência da inteligência artificial.

Ao abordar o tema, Leão relacionou o tráfico transatlântico de escravizados a novas formas de escravidão e colonialismo impulsionadas pela revolução digital, como o trabalho não regulamentado usado na extração de minerais raros necessários para chips de Inteligência Artificial (I.A).

Mensagem do Vaticano

Papa Leão XIV

“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor. Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão’, escreveu.

O pedido de desculpas respondeu a décadas de pedidos de católicos negros dos Estados Unidos, ativistas e estudiosos para que a Santa Sé reconhecesse e reparasse seu próprio papel no comércio colonial de seres.

Entretanto, o Vaticano sustenta que sempre defendeu a dignidade de todos os seres humanos como filhos de Deus. No entanto, uma série de decretos do século XV autorizou soberanos portugueses a conquistar territórios na África e nas Américas e escravizar não cristãos.

Em 1452, por exemplo, o papa Nicolau V publicou a bula papal ‘Dum Diversas’, que concedia ao rei de Portugal e seus sucessores o direito de “invadir, conquistar, combater e subjugar” “sarracenos, pagãos e outros infiéis”.

O texto também autorizava os portugueses a reduzir essas pessoas à “escravidão perpétua”.

As permissões dadas por Nicolau V foram confirmadas ou renovadas tempos mais tarde pelos papas Calisto III, Sisto IV e Leão X, antecessor em nome do atual pontífice.

Fonte: primeirapagina

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