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Orionídeas: Como os Rastro do Cometa Halley Aparecem em Fotografias

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2026

Uma fotografia registrada pelo astrofotógrafo Tim McCollum reúne três meteoros das Orionídeas em meio a estrelas, nebulosas e à faixa luminosa da Via Láctea. O registro foi feito na madrugada de 21 de outubro de 2026, sobre Toccoa, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, durante o período de maior atividade da chuva de meteoros.

Divulgada pelo Space.com em 23 de outubro, a imagem destaca um fenômeno ligado ao cometa Halley. Os rastros luminosos são produzidos por pequenas partículas deixadas pelo corpo celeste em passagens anteriores pelo Sistema Solar. Apesar da aparência de uma cena única, a fotografia combina diferentes exposições feitas ao longo de aproximadamente uma hora.

A composição permite observar detalhes que normalmente passam despercebidos a olho nu. Além dos meteoros, aparecem regiões de formação estelar, aglomerados e estrelas que integram a constelação de Órion. O trabalho também demonstra como técnicas de astrofotografia ajudam a registrar fenômenos rápidos e estruturas distantes do espaço.

Como a fotografia reuniu três meteoros

McCollum realizou as imagens entre 3h e 4h da madrugada, no horário local. Para registrar o céu, utilizou uma câmera Canon EOS Ra, desenvolvida para astrofotografia, acompanhada de uma lente Canon RF 28–70 mm f/2. Cada exposição durou cerca de 30 segundos, conforme as informações técnicas publicadas pelo Space.com.

O equipamento contou com um rastreador de estrelas, dispositivo que compensa parcialmente a rotação da Terra e ajuda a manter os astros definidos durante as capturas. Esse recurso é útil para fotografar estrelas, nebulosas e nuvens de poeira sem perder tantos detalhes por causa do movimento aparente do céu.

Na etapa de edição, o fotógrafo utilizou o programa PixInsight para combinar os registros. Dessa forma, três meteoros capturados em momentos diferentes passaram a integrar a mesma paisagem celeste. A imagem é uma composição de exposições reais, não um único disparo que registrou os três rastros simultaneamente.

A transparência sobre esse processo é importante para interpretar a fotografia corretamente. Cada meteoro permaneceu visível por pouco tempo, enquanto as exposições sucessivas permitiram registrar os flashes e recuperar detalhes do cenário astronômico ao redor.

Nebulosas e estrelas completam a cena

Os três rastros parecem surgir de uma região comum do céu. Esse efeito está relacionado ao radiante, ponto aparente de onde os meteoros de uma chuva parecem partir quando observados da Terra. No caso das Orionídeas, ele fica na direção da constelação de Órion, próximo à estrela Betelgeuse.

A fotografia também mostra as Três Marias, que formam o cinturão de Órion, além de regiões associadas à Nebulosa de Órion e à Nebulosa da Roseta. A faixa da Via Láctea atravessa o fundo, destacando a concentração de estrelas e poeira presente no plano da nossa galáxia.

Esses detalhes aparecem com mais intensidade porque a câmera acumula luz durante as exposições. A visão humana não funciona da mesma maneira, por isso as nebulosas e as estruturas menos brilhantes podem não ser percebidas com as mesmas cores e formas por alguém observando o céu sem equipamentos.

Por que o cometa Halley produz meteoros

O cometa Halley não aparece na imagem. A ligação com a fotografia está nos fragmentos que deixou pelo caminho durante suas antigas passagens próximas ao Sol. Ao longo de sua órbita, o cometa libera poeira e pequenos detritos que permanecem distribuídos pelo espaço.

Todos os anos, a Terra atravessa uma região dessa trilha. Quando as partículas entram na atmosfera em alta velocidade, a interação com os gases produz o aquecimento e a luz que vemos como meteoros. Segundo a NASA, os fragmentos associados às Orionídeas podem atingir aproximadamente 66 quilômetros por segundo.

Esses fenômenos são conhecidos popularmente como estrelas cadentes, mas não envolvem estrelas se desprendendo do céu. A maioria das partículas é pequena e se desintegra na atmosfera. Os fragmentos mais brilhantes podem deixar rastros luminosos que persistem por alguns instantes.

O material deixado pelo Halley também está relacionado a outra chuva anual de meteoros. Em outubro, a Terra encontra os detritos responsáveis pelas Orionídeas. Em maio, atravessa outra região da trilha, que dá origem às Eta Aquáridas.

O cometa completa uma volta ao redor do Sol em aproximadamente 76 anos. Depois de sua última passagem pelo Sistema Solar interno, em 1986, o próximo retorno é esperado para 2061, segundo informações da NASA.

Orionídeas ainda podem ser observadas no Brasil

A chuva de meteoros continua ativa até 7 de novembro de 2026, de acordo com a NASA. Assim, ainda há oportunidades para observar as Orionídeas nas madrugadas seguintes ao pico, inclusive nos dias 24 e 25 de outubro. A atividade, porém, tende a diminuir depois do período de maior intensidade.

Em condições ideais, com céu escuro e pouca interferência luminosa, a taxa pode ficar entre 10 e 20 meteoros por hora. Esse número é uma referência, e não uma garantia de quantos rastros serão vistos em cada local. Nuvens, iluminação urbana e condições atmosféricas podem reduzir bastante a observação.

Outro fator que interfere na experiência é o brilho da Lua. Em 23 de outubro, a iluminação lunar chega a cerca de 90,6% e deve alcançar aproximadamente 95,9% no dia seguinte, antes da Lua cheia prevista para 26 de outubro. A claridade pode esconder os meteoros mais fracos.

O Observatório Nacional informa que as Orionídeas podem ser observadas em todo o Brasil. Durante o período de maior atividade, a segunda metade da madrugada costuma oferecer boas oportunidades. No Hemisfério Sul, observar uma área ampla do céu voltada para o norte e o nordeste pode ajudar, sem manter os olhos fixos apenas no radiante.

Para planejar a observação, vale conferir a previsão do tempo, a presença de nuvens e os horários de nascer e pôr da Lua na cidade. A localização do observador influencia as condições do céu, e um ponto distante de postes, edifícios iluminados e outras fontes de luz favorece a visualização.

Como fotografar meteoros com uma câmera comum

Não é necessário ter um equipamento profissional para tentar registrar as Orionídeas. Uma câmera com controles manuais, uma lente adequada e um tripé firme já permitem começar. O principal é aumentar o tempo de observação, pois os meteoros aparecem de forma imprevisível e podem cruzar o enquadramento por apenas alguns instantes.

  • Escolha um local escuro: procure um ponto seguro, com horizonte aberto e pouca iluminação artificial. Inclua uma área ampla do céu no enquadramento.
  • Ajuste a exposição: experimente tempos entre 10 e 30 segundos. Valores de ISO entre 800 e 3200 podem servir como ponto de partida, dependendo da câmera, da lente e da luminosidade do ambiente.
  • Confira o foco: use o foco manual em uma estrela brilhante e amplie a imagem para verificar a nitidez. Mantenha a câmera estável durante as capturas.
  • Fotografe continuamente: utilize um disparador intervalométrico ou uma função equivalente para registrar uma sequência de imagens. O formato RAW oferece mais flexibilidade na edição posterior.

Um rastreador de estrelas pode ajudar em exposições mais longas, mas não é indispensável para começar. O importante é testar as configurações e adaptar os ajustes às condições do céu. Caso diferentes meteoros sejam reunidos durante a edição, a imagem deve ser identificada como composição.

O registro de McCollum mostra como fenômenos de curta duração podem ser apresentados em uma fotografia detalhada sem perder a conexão com a ciência. Enquanto o cometa Halley não retorna ao Sistema Solar interno antes de 2061, a Terra continua atravessando as trilhas de poeira deixadas por ele, oferecendo novas oportunidades de observação a cada ano.

Os dados sobre o fotógrafo, a localização, o equipamento e o método de composição foram publicados pelo Space.com em reportagem de Anthony Wood, de 23 de outubro de 2026. As informações astronômicas foram relacionadas a materiais da NASA e do Observatório Nacional. A fotografia original pertence a Tim McCollum, e a reprodução editorial depende da autorização do titular dos direitos.

Fonte: cenariomt

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