Os dois formatos abaixo são personagens. Um deles se chama Bouba, e o outro se chama Kiki. Qual deles recebe cada nome?

Se você acha que o formato pontudo tem mais cara de Kiki, e o redondo parece um Bouba, você não está sozinho. Essa associação é observada em praticamente todas as culturas humanas, com os idiomas e sistemas linguísticos mais variados entre si. Ela também é observada em crianças e bebês, que ainda não possuem as habilidades linguísticas totalmente desenvolvidas. O “efeito Bouba-kiki”, como é chamado, demonstra que a relação entre o som e sentido das palavras não parece totalmente arbitrária.
A ciência não sabe explicar totalmente esse efeito. Será que ele surge de associações linguísticas que aprendemos quando crianças? Ou é algo “instintivo”, que surge antes de aprendermos a falar?
Essas questões são debatidas desde 1947, quando o psicólogo Wolfgang Köhler descreveu o mesmo fenômeno com as palavras “takete” (mais associada a formas pontudas) e “maluma” (formas redondas). Desde 2001, graças a um estudo de V. S. Ramachandran e Edward Hubbard, utiliza-se mais as palavras kiki e bouba nas pesquisas.
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E se o efeito bouba-kiki existisse não só em humanos, mas também em outros animais? Um novo estudo publicado no periódico Science explorou essa relação em pintinhos recém-nascidos. Pesquisadoras da Universidade de Pádua, na Itália, fizeram o experimento em dois grupos: pintinhos com três dias de vida; e pintinhos com 24 horas de vida.
O primeiro grupo consistia em 42 pintinhos. Inicialmente, cada animal era colocado em um ambiente com um painel que mostrava uma figura ambígua – uma mistura de kiki e bouba. Ao circundar o painel, o pintinho ganhava comida. Depois, adicionava-se um segundo painel em branco ao ambiente. O pintinho deveria ignorar o painel em branco e circundar o painel ambíguo para receber a recompensa.

Depois dessa fase de treinamento, em que os pintinhos estavam se ambientando com o espaço, chegou a hora do teste. Cada animal se deparava com dois paineis com formas distintas: uma pontiaguda e uma redonda. Então, as pesquisadoras tocavam um áudio de uma pessoa repetindo a palavra “bouba” ou a palavra “kiki”. Nesse teste, não havia recompensa.
Resultado: 66% dos pintinhos preferiam dar a volta no formato redondo quando ouviam a palavra “bouba”, e 56% preferiam circundar o formato pontudo quando ouviam “kiki”.

No segundo experimento, 40 pintinhos mal tiveram tempo de ver o mundo antes de serem submetidos ao teste bouba-kiki. Inicialmente, os animais viam a imagem ambígua na tela de um computador enquanto se ambientavam ao local. Não havia comida ou qualquer recompensa.

Já na fase de teste, as imagens redonda e pontiaguda eram mostradas na tela, separadas por uma parede. O pintinho poderia escolher qual das imagens explorar, enquanto as palavras “bouba” ou “kiki” eram tocadas ao fundo.

Os pintinhos exploravam a área redonda por mais tempo quando ouviam a palavra “bouba” (199 segundos na redonda, versus 57 segundos na área pontuda). Quando ouviam a palavra “kiki”, tendiam a explorar mais a área pontuda (144 segundos, em comparação a apenas 44 segundos na área redonda).
O mais curioso é que, em outros estudos, o efeito bouba-kiki não é observado em primatas não humanos, como bonobos e chimpanzés. Como esses animais são evolutivamente mais próximos de nós, esperaria-se que o efeito ocorresse neles – e talvez não em pintinhos. Para as pesquisadoras, é possível que essa variação ocorra por diferenças metodológicas nos estudos conduzidos.
O que explicaria, então, esse resultado em pintinhos? Talvez o efeito bouba-kiki não revele apenas uma associação entre som e significado, e sim uma organização do cérebro mais profunda, que atravessa espécies. Talvez objetos redondos tenham uma tendência a lembrar o som “bouba” ao rolar no chão, enquanto objetos pontiagudos lembrem o som “kiki”. Como compartilhamos um mundo com as mesmas propriedades físicas, talvez essa relação esteja gravada na mente de diversos animais.
De toda forma, são necessários mais estudos para validar ou refutar essa teoria.
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Fonte: abril






