Saúde

Novas evidências sobre sequelas do zika em crianças: Estudo brasileiro revela descobertas relevantes

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Pesquisadores de diferentes estados e instituições brasileiras publicaram o maior estudo já realizado no mundo sobre as sequelas do vírus zika na infância. A pesquisa reuniu dados de 12 centros nacionais e analisou informações de 843 crianças brasileiras com microcefalia, nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.

O trabalho foi desenvolvido pelo Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio) e publicado em dezembro de 2025 em uma revista científica internacional voltada à saúde pública. O objetivo foi uniformizar dados, descrever os casos e definir o espectro da microcefalia associada ao vírus.

Segundo a pesquisadora Maria Elizabeth Lopes Moreira, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, o estudo se destaca pelo volume e pela análise de dados primários. Não havia, até então, pesquisas publicadas com um número tão expressivo de crianças, o que permitiu observar diferentes graus de gravidade da Síndrome Congênita do Zika.

O Brasil concentrou a maior incidência mundial de microcefalia associada ao zika durante a epidemia registrada entre 2015 e 2016. A pesquisa possibilitou identificar características morfológicas específicas dessa condição, distintas de outras microcefalias. Nos casos relacionados ao zika, o cérebro apresenta colapso estrutural após um período inicial de crescimento normal, o que também afeta a formação óssea do crânio.

Além da microcefalia, os pesquisadores identificaram uma série de sequelas neurológicas, auditivas e visuais. Convulsões de difícil controle, associadas à epilepsia, também foram frequentes entre as crianças avaliadas.

Entre os principais achados, destacam-se a microcefalia ao nascimento em mais de 70% dos casos, alterações estruturais no sistema nervoso central, epilepsia, déficit de atenção social e comprometimentos oftalmológicos. Exames de imagem apontaram altas taxas de calcificações cerebrais, ventriculomegalia e atrofia cortical.

Cerca de 30% das crianças acompanhadas já morreram. As sobreviventes, atualmente entre 8 e 10 anos, enfrentam dificuldades significativas de inclusão escolar, especialmente nos casos de paralisia cerebral grave e déficit de aprendizagem.

Os especialistas reforçam que não existe tratamento específico para o vírus zika. A principal recomendação é a prevenção, com foco na proteção de gestantes contra o mosquito transmissor. Após o nascimento, a estimulação precoce é considerada essencial, mesmo para crianças que não apresentem microcefalia aparente.

O estudo também destaca que muitas mulheres podem ter sido expostas ao vírus durante a gravidez sem apresentar sintomas. Por isso, crianças expostas intraútero devem ser acompanhadas ao longo do desenvolvimento, já que podem manifestar atrasos cognitivos e motores.

Os pesquisadores alertam ainda para a necessidade de cuidados multidisciplinares ao longo de toda a vida das crianças afetadas e ressaltam os desafios enfrentados pelas famílias no acesso aos serviços de saúde. O grupo continuará acompanhando os participantes para avaliar os impactos do zika na vida escolar e no neurodesenvolvimento a longo prazo.

Fonte: cenariomt

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