Eventos

No novo título otimizado para SEO: Mulher nordestina mantém tradição de cozinhar cantando em MT desde 1985

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

Entre uma receita e outra, dona Enedina Alves Cardoso encontra tempo para cantar e recordar a terra onde nasceu. Natural de Teresina, no Piauí, ela deixou o Nordeste em 1985 para trabalhar em Cuiabá, mas nunca abandonou os costumes que trouxe na bagagem. Há 41 anos em Mato Grosso, a cozinheira mantém vivas suas raízes por meio da música e dos sabores nordestinos. Sua história ganha destaque neste 8 de outubro, Dia do Nordestino, data que celebra a cultura e a contribuição desse povo para diferentes regiões do Brasil.

Moradora do bairro São Francisco, na capital mato-grossense, dona Enedina transformou o amor pela culinária em profissão. Pratos tradicionais, como cuscuz e bolo de goma, fazem parte das receitas que atravessaram gerações e continuam presentes em sua cozinha. Para ela, preparar essas comidas é também uma maneira de manter a conexão com o Piauí.

A alegria é outra marca da cozinheira, que costuma cantar enquanto prepara os alimentos. O hábito chama a atenção de quem acompanha sua rotina, mas, para dona Enedina, é algo natural, especialmente quando está fazendo pratos típicos do Nordeste.

“Às vezes as pessoas falam assim: ‘Nossa, dona Dina, a senhora cozinha assim dessa forma, é rindo, cantando?’. Porque é uma coisa, principalmente quando é comida nordestina, é a terra minha, é uma coisa que eu gosto de fazer”, contou.

Mesmo depois de mais de quatro décadas longe do estado onde nasceu, ela fala com orgulho sobre suas origens e sobre a força dos nordestinos que, assim como ela, deixaram suas cidades em busca de novas oportunidades.

“Nordestino é forte, nordestino é alegria, nordestino é transformação, nordestino não desanima com nada. Nordestino é aquela injeção de vitamina, não só para a própria pessoa, mas para aquelas pessoas que estão ao seu redor”, afirmou.

Baiano encontrou em Cuiabá um novo lar e um amor de 50 anos

Assim como dona Enedina, o contador aposentado Dalvadísio Meira Gomes também deixou o Nordeste para construir uma nova história em Mato Grosso. Natural de Vitória da Conquista, na Bahia, ele chegou a Cuiabá há mais de 50 anos, em busca de melhores oportunidades.

O que encontrou na capital mato-grossense foi mais do que um lugar para trabalhar. A hospitalidade dos cuiabanos e as semelhanças culturais com sua terra natal fizeram com que ele se sentisse acolhido. “Quando eu cheguei aqui, eu me identifiquei muito com o povo cuiabano. Povo hospitaleiro, me acolheu muito bem. E os gostos pela comida lá do Nordeste, da Bahia, achei muito identificado com aquilo”, relembrou.

Foi também em Cuiabá que Dalvadísio conheceu dona Luzia Botelho de Campos, com quem construiu uma família e vive uma história de amor que já dura meio século. “Foi amor à primeira vista mesmo. E desde então, a gente se deu bem até hoje, graças a Deus”, contou Luzia.

Apesar de ter passado a maior parte da vida longe da Bahia, Dalvadísio afirma que nunca deixou de valorizar suas origens.

“A gente, enquanto pessoa, ser humano, nunca deve se esquecer das nossas origens. Por mais que você fale hoje é isso, é aquilo, mas o sangue seu é baiano, é nordestino. Então a gente deve sempre manter as tradições e conservar as origens”, destacou.

Presença nordestina ajudou a construir Mato Grosso

As histórias de dona Enedina e seu Dalvadísio representam a trajetória de milhares de nordestinos que escolheram Mato Grosso para viver, trabalhar e formar suas famílias.

Segundo a professora de História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ana Borges, a participação desses migrantes foi fundamental para o processo de crescimento e desenvolvimento do estado, especialmente pela força de trabalho e pelos conhecimentos que trouxeram.

“Esse modelo desenvolvimentista que a gente segue hoje deve muito à presença humana e braçal deles. E eu acho que, para além disso, eles não trouxeram consigo só os seus braços, suas pernas, eles trouxeram conhecimento, eles trouxeram experiência, eles trouxeram a possibilidade de ficar”, explicou.

A contribuição nordestina, no entanto, vai além da economia. Ela também está presente na culinária, nas festas populares, na música, nas danças e até nas roupas usadas pelos mato-grossenses.

A professora cita como exemplo a valorização da chita, tecido colorido e florido associado às tradições populares nordestinas, além de manifestações culturais como o maracatu, originário de Pernambuco e também presente em Mato Grosso por meio de grupos como o Buriti Nagô.

Essas influências mostram como a cultura mato-grossense foi enriquecida pelo encontro de diferentes tradições. Para quem deixou o Nordeste há décadas, preservar os costumes é também uma forma de manter viva a memória da terra natal.

É o que dona Enedina faz todos os dias. Entre panelas, receitas e cantorias, ela demonstra que, mesmo a milhares de quilômetros do Piauí, é possível continuar perto de casa por meio dos sabores, das lembranças e das tradições que carrega consigo.

Fonte: primeirapagina

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.