Saúde

Nasa planeja base humana na Lua com veículos lunares, energia nuclear e drones até 2036

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

Em abril deste ano, a Nasa lançou 4 astronautas em um sobrevoo lunar, marcando o retorno da humanidade ao satélite natural da Terra neste século. O feito, contudo, é apenas o primeiro passo do projeto de construir uma base capaz de manter uma presença humana contínua na Lua – uma Estação Espacial Internacional, mas em solo lunar.

A ideia é criar, até 2036, um verdadeiro ecossistema humano, com meios de transporte, geração de energia, estruturas de pesquisa e habitats para astronautas. Isso exige, ao longo de 11 anos, mais de 80 voos lunares, a construção de 10 veículos especializados, drones, módulos habitacionais humanos e até a instalação de um reator nuclear na Lua. O investimento? Mais de 30 bilhões de dólares.

A base deverá ficar no polo sul lunar e funcionará não apenas como centro de exploração científica, mas também como ponto estratégico para futuras missões tripuladas a Marte, que, por sua vez, exigirão a construção de muitas outras tecnologias.

Tudo isso faz parte do plano Ignition, que estabelece as novas diretrizes das missões espaciais da Nasa. O programa foi elaborado neste ano após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinar que a prioridade da agência espacial deveria voltar a ser a exploração da Lua.

Enquanto as estruturas da futura base são desenvolvidas, o programa Artemis segue a todo vapor, e seu sucesso é essencial para a base lunar. A Nasa estipula que a missão Artemis IV deverá levar astronautas de volta à superfície lunar até 2028. A última vez que isso aconteceu foi durante a missão Apollo 17, em 1972.

O que é o lado oculto da Lua?

 

 

Originalmente, o programa Artemis contava com a construção da estação espacial lunar Gateway, que permaneceria na órbita lunar como base de apoio. Com as novas metas do plano Ignition, porém, a Gateway deixou de fazer sentido e a prioridade tornou-se uma estação fixa na superfície. O novo projeto vai reaproveitar parte da equipe de desenvolvimento, das tecnologias e  das estruturas da Getaway.

O pouso lunar da missão Artemis terá tecnologias iniciais de autossuficiência para permitir estadias humanas temporárias na Lua. Os sistemas mais sofisticados ficam para a base, que dependerá da colaboração de diversas instituições e parceiros internacionais.

Como construir uma base lunar

A Nasa escolheu o polo sul da Lua para abrigar a base devido à possibilidade de reservas de gelo na região, o que não pode ajudar os humanos a sobreviver por lá como também pode servir de insumo para combustível de foguete.

A região nunca recebeu missões tripuladas e possui terrenos extremos, com montanhas e crateras profundas. Também possui áreas permanentemente sombreadas, com longos períodos de frio e escuridão (e é lá que pode estar o gelo).

O problema é que essas características trazem desafios adicionais, principalmente no que se refere à energia. É preciso de uma reserva para abastecer as estruturas durante dezenas de horas sem sol, e tecnologias alternativas à energia solar comumente usada nas naves espaciais. Por isso, a Nasa aposta em sistemas nucleares e unidades de aquecimento por radioisótopos.

O plano de implementação será dividido em três fases, com instalação gradual das estruturas.

Fase 1

Cenário lunar com dois astronautas perto de um veículo, um foguete e módulos de pouso, com a Terra visível no horizonte e satélites no céu escuro
(NASA/Divulgação)

A primeira etapa já está em andamento e deve continuar até 2028. O objetivo é estabelecer um acesso seguro e confiável à superfície lunar antes da construção de uma base fixa. O investimento estimado é de US$ 10 bilhões.

Nesta fase, as primeiras estruturas serão desenvolvidas na Terra e enviadas à Lua para testes e validação. Estão previstos 25 voos espaciais para levar cargas e sistemas robóticos (comandados aqui da Terra).

Esses equipamentos servirão para diversas tarefas, como mapear a superfície lunar, identificar recursos, reconhecer áreas adequadas para pouso e testar novas tecnologias. Entre os principais sistemas previstos estão:

  • Drones Moonfall: drones-foguete encarregados de vigilância aérea e mapeamento do relevo lunar; veja abaixo:

  • Satélites de observação: responsáveis pela comunicação e transmissão de dados entre Terra e Lua;
  • Human CLPS Landing System: sistemas de pouso humano para missões tripuladas;
  • VIPER: veículo espacial encarregado de procurar água e outros recursos lunares;
  • Lunar Terrain Vehicles: veículos lunares tripulados e não tripulados para deslocamentos fora da base lunar. Eles parecem carrinhos de golf e a sua versão na fase 1 é um pouco mais simples;
  • Radioisotope Heater Units: unidades de aquecimento por radioisótopos, importantes para manter equipamentos funcionando durante períodos sem luz solar.

A meta é que, ainda nesta fase, ocorra pelo menos uma missão tripulada à superfície lunar.

Fase 2

Cena de uma base lunar com dois astronautas em trajes espaciais brancos ao lado de um veículo rover branco e azul. Ao fundo, foguetes brancos, equipamentos de comunicação e a Terra azul e branca no céu escuro. Pequenos satélites flutuam acima da superfície lunar cinza e craterada
(NASA/Divulgação)

Prevista para começar em 2029, instalará as primeiras estruturas operacionais permanentes da base lunar. A etapa deve durar até 2032, com investimento estimado em outros US$ 10 bilhões para 27 voos espaciais.

As missões tripuladas devem ocorrer semestralmente. Nesta fase, entram em cena estruturas mais pesadas, como um rover pressurizado desenvolvido em parceria com a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). O veículo funcionará como um habitat móvel, permitindo deslocamentos mais longos na superfície lunar.

A Nasa também pretende instalar sistemas mais avançados de armazenamento e distribuição de energia, estações de comunicação mais robustas e veículos robóticos voltados para carga, logística e escavação. O principal destaque é o teste de um sistema nuclear na Lua, que gera energia mesmo nos períodos de escuridão.

Fase 3

Base lunar futurista com módulos habitacionais, veículos, foguetes e astronautas em trajes espaciais, sob um céu escuro com a Terra e um ponto de luz brilhante
(NASA/Divulgação)

A última etapa começa em 2032 e deve ser concluída até 2036. A meta é conseguir estabelecer uma presença humana quase permanente na Lua. Para isso, a Nasa estipula 29 voos espaciais e investimentos superiores a US$ 10 bilhões. 

A ideia é transformar a base em um sistema operacional ainda mais complexo, com diversos módulos habitacionais permanentes e espalhados, sistema de logística sofisticada, geração de energia e mais meios de transporte pela superfície lunar.

As promessas serão cumpridas? Só saberemos daqui a 10 anos.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo